NATAL – Neste mundo de tantas tarefas e dasafios ainda encontro forças e vontade de trabalho – algo somente ofertado por determinação e amparo de Deus, inclusive para examinar, analisar e opinar sobre nossa aldeia, nossos lideres, os dramas e as comédias. Direto da Capital do Rio Grande do Norte encontro tempo ainda para avaliar causas e efeitos do fim do relacionamento pessoal do governador Ricardo Coutinho e o prefeito de João Pessoa, Luciano Agra.
Lafaiete Coutinho, amigo de longas datas, eis que me estimula à reprodução temática de um texto veiculado no Portal Política – um dos mais conceituados – que cai como uma luva na questão Agra – Ricardo.
Com está dito na tese, na política, os conceitos de amizade e inimizade são ambíguos. Tanto que constituem temas clássicos, merecendo uma infinidade de análises e sentenças.
O rei Henrique IV: “A maneira mais certa de desfazer-nos de um inimigo é fazer dele um amigo”
A atmosfera do poder, se não torna a amizade impossível, por certo impõe tensões muito desagregadoras a ela. No mundo em que o governante desenvolve suas atividades não há muito espaço para amizades. Amigos exigem muito e esperam muito, na forma de atenção, consideração e compreensão. Amigos tendem a atribuir um significado ao conceito de lealdade do chefe para com eles, que extrapola em muito os limites toleráveis para quem tem a responsabilidade de governar.
Amigos exigem uma solidariedade irrestrita e imediata a qualquer momento em que entrem em dificuldades, que será paga pelo governante em “moeda política”, que com tanto esforço acumulou. Amigos, pois, tendem a desenvolver expectativas exageradas e desproporcionais do governante.
Tais expectativas – compreensão, paciência, consideração, solidariedade irrestrita – são perfeitamente justas e adequadas no contexto de relações pessoais privadas. Transpostas para o mundo da política, que na sua lógica própria não as reconhece, tornam-se politicamente onerosas e até tirânicas. Por estas razões, amigos no governo estão sempre à “beira da decepção” com seu amigo poderoso, na iminência do rompimento da amizade.
Há sempre alguns amigos que são capazes de fazer a distinção entre as duas situações – amizade na vida privada e na vida pública. São poucos, mas são valiosos. Você os reconhece porque eles não lhe criam problemas. Antes, resolvem-nos, mesmo ao custo de prejuízo pessoal, e você só fica sabendo muito depois.
A outra marca deles é a de não opor obstáculos e não desenvolver hostilidade com os novos amigos ou colaboradores que você atrai para seu círculo mais próximo. Destes amigos, o governante deve cercar-se. Eles serão o apoio mais importante nos piores momentos. Dos outros deve afastar-se.

