{arquivo}A decisão do prefeito de João Pessoa, Luciano Agra, de ir para a disputa do PSB enfrentando a pré-candidata Estelizabel Bezerra em convenção, agora em Junho, é o fato novo da política da Capital em nível extraordinário como nunca se imaginou. São vários os efeitos, mas o principal deles, incontestavelmente, denota o fim da hegemonia entre o significado de Ricardo como líder de um Coletivo transformado em Poder, mas agora contestado por dezenas de filiados.
Agra assumiu, mais do que um movimento de rebeldia, a sua própria identidade enquanto líder político que ascendeu através do governador, mas construiu gradativamente uma silhueta transformada em imagem de gestão a lhe cacifar na cena política.
O que será preciso identificar a partir de agora é o “quem é quem” no processo, isto é, como se comportarão as muitas figuras de relevância do ex-Coletivo no PSB e, ao mesmo tempo, o tamanho do Colégio Eleitoral .
Na prática é o seguinte: quanto menor for o número de eleitores, maior a possibilidade de RC ser vencedor, na proporção inversa na qual, se houver uma participação maior dos militantes é muito provável que Agra cresça em face de sua imagem na ponta, onde estão os eleitores do baixo clero.
A rigor, será importante acompanhar o enfrentamento das Máquinas, posto que o Governo e a Prefeitura dispõem de mecanismos de pressão em proporção iguais desde já sabendo que Agra sempre foi o operador / planejador dos desejos e projetos de RC.
Em síntese, Agra tomou a decisão porque dispõe de apoios fortes na base partidária e de lideranças, a exemplo do vereador Bira, que resolveu peitar o mandonismo do ex-chefe, ex-amigo.
Isto significa o fim do Absolutismo do governador que, mesmo saindo vencedor desta disputa conviverá com feridas com formato de impossibilidade de sarar. E, em sendo assim, Ricardo vai começar a perder muito, porque já não dispõe de seguidores cegos, devotos, porque acordaram para Jesus.

