Os dirigentes da Cagepa e o governador do Estado têm alardeado que essa empresa atravessa uma situação bastante precária. A sua receita mensal é de R$ 36 milhões para uma correspondente despesa de R$ 42 milhões. Há um déficit evidente de R$ 6 milhões/mês. Esse fato é resultado de um progressivo processo histórico de dificuldades econômico-financeiras agravadas nos últimos anos. As causas desse malogro são de natureza profundamente estrutural. É pouco provável que a solução se dê através de empréstimos para garantir o equilíbrio temporário de fluxo de caixa.
A Cagepa é monopolista no fornecimento de serviços de água e esgoto, na Paraíba. Desse modo, mesmo que fosse uma organização privada, haveria uma certa tendência à acomodação, no sentido da busca permanente da racionalização redutora de custos com mais eficiência e qualidade. Em sendo uma empresa estatal, à luz de sua história, o seu descompromisso com essas boas práticas de gestão econômica e administrativo-financeira é muito maior. As ações aí prevalecentes baseiam-se na correção dos desequilíbrios empresariais pelo fortalecimento das receitas, com elevação dos preços e tarifas, ou algum tipo de socorro do Erário estadual. Em síntese, os consumidores e a população paraibana em geral pagam religiosamente os custos da irracionalidade e ineficiência.
De forma pouco convincente, toda essa problemática da Cagepa está sendo concebida pela ótica meramente financeira. Argumenta-se que a empresa tem uma dívida com instituições bancárias da ordem de R$ 190 milhões que gera compromissos mensais (amortizações e juros) de R$ 6 milhões. O Governo do Estado está propondo a recomposição desse endividamento, com a obtenção de empréstimos de R$ 150 milhões. Esse refinanciamento possibilitaria a liquidação da grande parte da dívida que tem encargos relativamente muito pesados e prazos de amortização inadequados.
Esse novo empréstimo de R$ 150 milhões, com dois anos de carência, é visto como uma espécie de panaceia para a Cagepa. Na realidade trata-se da tentativa desesperada de um equilíbrio financeiro precário, claramente temporário e forçado. Afirma-se, sem fundamentação, que os dois referidos anos seriam suficientes para a empresa criar as condições estruturais e operacionais indispensáveis à conquista da solidez financeira duradoura e uma adequada rentabilidade econômica. A pergunta relevante é a seguinte: há verdade e sinceridade nisso? Então cadê o plano de reestruturação técnica, organizacional e operacional indispensável à recuperação efetiva da empresa!
Mesmo que esse plano de reestruturação exista e apresente uma solução razoável, o que não parece ser o caso, quem garante a implementação de suas proposições. Não há um atestado histórico de boa gestão da Cagepa. Pelo caráter essencial e interesse coletivo dos serviços prestados por essa companhia, é imprescindível uma ação governamental e empresarial séria e competente, com vistas à sua modernização administrativa e recuperação econômico-financeira. É inadmissível que um patrimônio público da dimensão econômica e importância social da Cagepa tenha chegado a tão avançado estagio de deterioração.

