Agosto/1968: A Primavera de Praga

 

Intelectuais reformistas do Partido Comunista Checo, liderados por Alexander Dubcek, que assumira o governo daquele país em 05 de janeiro de 1968, buscaram promover grandes mudanças nas estruturas política, econômica, social e cultural na Checoslováquia, movimento que ficou conhecido como a “Primavera de Praga”. O objetivo era “desestalinizar” o país, prometendo restabelecer a liberdade da imprensa, a liberdade de culto religioso e a formação de novos partidos. Asseguravam uma revisão constitucional que garantisse os direitos civis e as liberdades do cidadão. A idéia de “humanizar” o PC checo desagradou a União Soviética e os partidários da linha dura do stalinismo.

Dubcek foi, por várias vezes, advertido por Moscou de que deveria parar com as reformas em implantação, consideradas pelos soviéticos “inimigas do socialismo”. No entanto, os experimentos daquele líder checo estavam sendo muito bem recebidos pela população e, por isso, passaram a ser vistos como ameaçadores aos regimes socialistas dos países que compunham o Pacto de Varsóvia.

Na madrugada de vinte e um de agosto a cidade de Praga foi invadida por uma operação composta por 650 mil militares e 7000 tanques, provenientes do exercito soviético e aliados. A população reagiu pacificamente, trocando placas de trânsito para confundir as tropas invasoras, mantendo-se nas ruas em protesto. Jovens deitavam-se em frente dos imponentes tanques soviéticos, na tentativa de inibir o ataque militar. A Assembléia Nacional em lealdade ao seu líder manteve suas sessões plenárias.

Entretanto a Primavera de Praga foi desmontada em uma semana e Dubcek levado preso a Moscou.

O acontecimento surpreendeu o mundo inteiro e provocou reações de repúdio em todo o planeta. Até algumas nações do bloco comunista desaprovaram a invasão. Inevitáveis as comparações entre o imperialismo norte-americano e o comunismo russo. Nivelaram-se na capacidade de opressão aos mais fracos.

No Brasil a reação foi também de indignação e de protesto. Na Paraíba o assunto mereceu manifestações de revolta e solidariedade ao povo checo por parte de lideranças políticas, intelectuais, jornalistas e estudantes.

O jornal “O Norte”, em sua edição do dia vinte e dois de agosto, publicou o seguinte editorial a respeito:
“A dolorosa e trágica verdade contemporânea é que ainda não existe um lugar para a liberdade. O povo que escolhe a “democracia” terá que submeter-se às decisões de Washington; o povo que escolher o “socialismo” submeter-se às de Moscou, nada além desses dois caminhos.
A ocupação da Checoeslováquia, por tropas do Pacto de Varsóvia, lideradas pela União Soviética, era a única coisa que faltava acontecer para confirmar essa triste evidência. Do ponto de vista ideológico ainda pode haver opção, mas do ponto de vista da realidade mundial, os caminhos só são dois, pelo menos enquanto os povos do Ocidente e do Oriente não decidirem eles mesmos traçar o seu próprio caminho.
Ganha corpo a tese de Dom Hélder Câmara. Os que consideravam ingênua a tese de eqüidistância, de desvencilhamento dos dois blocos mais poderosos da história humana, vêem agora, que o contrário só é viável pela submissão a um dos blocos. Nenhum pequeno país democrático é independente. Nenhum pequeno país socialista, idem.
O que a União Soviética fez com a Checoslováquia, diga o que disser a Rádio de Moscou, não tem nenhuma diferença do que os Estados Unidos fizeram com a República Dominicana. O argumento nos dois casos, foi a defesa dos respectivos regimes”.

Na Assembléia Legislativa da Paraíba vários parlamentares usaram a tribuna para se pronunciar sobre o acontecimento. O deputado José Maranhão declarou: “A invasão que vem ocorrendo agora é de paises do mesmo regime e a Checoslováquia não tem condições bélicas para reprimir o abuso dos invasores. A invasão é um desrespeito às leis internacionais e uma verdadeira ameaça à soberania do território checo. O que vem ocorrendo lá é a mesma coisa da invasão norte-americana no Vietnã do Norte, que, como a Checoslováquia, não tem condições bélicas para reprimi-la”. O deputado José Fernandes de Lima afirmou: “Quando um país maior investe contra um país desassistido militarmente merece o repúdio de todo o mundo”. Já o deputado Luiz Ribeiro assim se manifestou sobre o assunto: “Em nome da autodeterminação dos povos, protesto contra a invasão da Checoslováquia, pois se constituiu uma afronta à pluralidade das idéias dos mais fracos”.

No próximo texto continuo divulgando a repercussão desse acontecimento histórico internacional, em especial entre os intelectuais, comerciários e estudantes paraibanos

• esse texto faz parte da série COMO A PARAIBA VIVEU O ANO DE 1968
• comentários e informações adicionais devem ser encaminhados ao email: iurleitao@hotmail.com

 

Mais Posts

Tem certeza de que deseja desbloquear esta publicação?
Desbloquear esquerda : 0
Tem certeza de que deseja cancelar a assinatura?
Controle sua privacidade
Nosso site utiliza cookies para melhorar a navegação. Política de PrivacidadeTermos de Uso
Ir para o conteúdo