Quando se faz preciso distender

BRASILIA – Foi o empresário e líder José Carneiro, da RENAULT / NISSAN da Paraiba, quem me chamou a atenção num dos embarques da vida. Semana passada ele havia se deparado com Pablo Forlan Santos em Congonhas, nesta terça-feira passada conosco. Dizia ele: impressiona como nossa elite política se reveza há anos entre ser Situação e Oposição sempre agindo forte para não deixar que as coisas aconteçam.


A tese de José Carneiro me deixou com o quengo quente por onde ando na Capital Federal porque, de fato, desde que me entendo de gente e convivo com a política partidária lembro pouco de alguma fase de calmaria no Estado.

Na prática, somos incapazes de gerar Pactos. Sem tom professoral, mas pela pertinência do que vou tocar, lembro que a Espanha vivia uma crise de morte com suas diversas regiões querendo independência (Bascos, Catalãos, etc) com direito a atentados e muitas mortes até o final dos anos 70 . Pois bem: não faz muito tempo (1985), diante da crise agravada – penso que foi Felipe Gonzalez o articulador para uma grande reunião entre representantes desses movimentos separatistas, que sentaram exatamente no Castelo que deu nome ao Pacto, selando uma nova fase na história dos espanhóis.

Resultado: as grandes obras e projetos de repercussão futurista e moderna da Espanha são fruto desse acordo, porque todos decidiram que, embora hajam conflitos ideológicos, os projetos básicos seriam mantidos e continuados por todos, como até hoje.

Pois bem, embora não tenhamos a repetência de rebeldia dos Bascos, por exemplo, que matavam e cessaram as ações, mesmo assim representamos diversas gerações de intolerantes, incapazes de saber conviver com o desafeto circunstancial (posto que os inimigos mudam de posição a cada tempo) daí a perda de décadas continuadas com o Estado ficando atrás dos estados vizinhos.

Lembro aqui que o deputado federal Ruy Carneiro puxou essa bandeira no inicio de 2011, que chegou a ser do governador Ricardo na campanha, mas este não quis nem pôs em prática o que poderia servir de inicio de uma nova cultura de relacionamento entre diferentes. Aliás, RC tem perdido continuadamente a oportunidade de se credenciar com gestor e líder político tolerante para construir essas pontes entre tantas ilhas de gente na Paraíba. Ao contrário, faz questão de destruir as que existem.

Ruy foi até ridicularizado por alguns de seus colegas deputados, mas ele estava correto em agir dessa forma adotando Pacto de civilidade e de compromissos entre nossas lideranças. Entretanto, pelo andar da carruagem, certamente que não conseguiremos esse estágio nos próximos tempos.

– Meu Deus, diria Maria Júlia (minha in memorian) andando pelas barracas do Mercado da Torre – por que será que desaprendemos a respeitar o outro, mesmo com suas diferenças, e só queremos a desgraça do outro?
Mano Duda (Hilton Cândido, empresário forte) certamente responderia:

– Minha mãe, nossos líderes já não são os mesmos, perderam-se no caminho, reproduzindo erros e erros que só fazem nossa gente sofrer.

É, se tudo isso se apresenta de forma verdadeira, só penso que não devemos desistir de cobrar de nossa elite formas de superação e convivência mínima entre eles. São valores da civilidade que exigem se impor na contemporaneidade.

Só que os primeiros gestos precisam ser de quem está no Poder, à quem cabe o sentimento de entender e por em prática a distensão possível.

Se não for assim, pobre Paraíba! Como diz a frase famosa sobre o México: “Pobre México!Tão longe de Deus e tão perto dos Estados Unidos! No nosso caso, perto de Pernambuco again.

Umas & Outras


…Quem embarcou para Brasilia no vôo agradável da AVIANCA foi o advogado Michel Saliba. Podem ir atrás que tem engenhosidade no pedaço.

…Outro a ser tomado pela brasilianidade é o professor Almir Nóbrega – agora novo vice-presidente do Conselho de Ações Anti-drogas. Teve sua nomeação publicada na sexta-feira pelo Ministério da Justiça. Ele é dos que o mundo precisa: vive para defender a paz. Conte conosco.

…Milton Dornelas, o todo poderoso da FUNJOPE (JPA) desembargou no Aeroporto Juscelino Kubtischek. Estava sem o amigo e cúmplice cultural, CC.

…Coisa boa danada foi rever Pinto do Acordeon, querido amigo e artista de nota e linha máxima no canto e na música de raiz, a partir do forró, xote, baião e tudo o que é cultura fina de nosso Nordeste. Dei um abraço danado de saudade no amado Nego Pinto!

…Pinto por Pinto quem esteve na WSCOM ontem o médico/amigo Francisco Pinto, rejuvenescido só que querendo ser Chico Buarque ou Neol Rosa. Cultura ele tem para muito.

… A nova edição da Revista NORDESTE circulará bombando com muitas informações de peso, fortes.
A propósito, acaba de conquistar um prêmio de Portugal. Na hora certa, haveremos de dizer.

…À quem interessar possa: na próxima eleição da API vou votar na atual presidente Marcela Sitônio. É personagem de equilíbrio e firmeza com capacidade para dar o desfecho do mandato com a reeleição. Sei que é um voto simples, singelo, mas é de verdade insofismável. Vou atualizar as mensalidades para votar com galhardia na condição de um ex-presidente devoto das grandes lutas encampadas pela API. Nunca ela está tão necessária!

…Tem ricardista na mídia, muito beneficiado, já se preparando para assumir o processo de Impeachment.

ÚLTIMA

“Quebra/ quebra guabiraba/ quero ver quebrar/
Quebra lá/ que eu quebro cá/ quero ver quebrar…”

 

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