O assassinato do estudante Édson Luis causou forte repercussão nos meios políticos. A Assembléia Legislativa da Guanabara, para onde o corpo foi levado e permaneceu até a hora do sepultamento, abriu sessão em caráter extraordinário com sucessivos e exaltados discursos dos parlamentares em solidariedade aos estudantes que ocupavam as escadarias do edifício, na praça Floriano Peixoto.
Em Brasília a sessão noturna da Câmara Federal foi agitada pela presença dos estudantes que ocuparam as galerias gritando palavras de ordem. Por várias vezes o presidente Pedro Aleixo ameaçou a retirada dos manifestantes daquela casa legislativa. O deputado Brochado da Rocha sugeriu que o Congresso se transformasse em Comissão Geral para investigar os fatos ocorridos no Rio de Janeiro. Até as duas da madrugada vários parlamentares da oposição foram à tribuna para proferirem discursos contra o brutal acontecimento. Três deputados paraibanos se pronunciaram naquela oportunidade, Humberto Lucena, Pedro Gondim e Osmar de Aquino. Este último em seu discurso afirmou: “O atentado sofrido pela juventude no Rio de Janeiro nesta noite me obriga a perguntar aos líderes da maioria: porque foram cassados a um só tempo, por exemplo, o marxista Luiz Carlos Prestes, o humanista Miguel Arraes, o desenvolvimentista Juscelino Kubstcheck, o católico Paulo Freire e o economista não-marxista Celso Furtado? É claro que isto não se deu por mera coincidência. É o indício dos mais veementes de que o golpe de primeiro de abril se deu para manter o “status quo” e deter o desenvolvimento do Brasil, a serviço dos interesses imperialistas. Daí esta real perseguição de que tem sido vítima a juventude do Brasil – uma geração que se tem constituído na grande vanguarda da libertação nacional. É a luta do velho contra o novo, do reacionarismo mais primário contra o futuro. Eu, que cheguei ao Congresso pelas mãos da juventude estudantil paraibana, não poderia ter outra atitude senão a posição de protesto e de luto”.
No dia seguinte por ocasião da realização de uma passeata na Avenida W3 em Brasília, sete parlamentares foram espancados pelos policiais do Corpo de Bombeiros do Distrito Federal. Entre eles estava o paraibano Humberto Lucena, que se fazia acompanhar, dentre outros, dos deputados Mário Covas e Bernardo Cabral.
Em João Pessoa, no dia 29 de março, a Assembléia Legislativa da Paraíba, era movimentada por inflamados pronunciamentos dos deputados estaduais, manifestando o repúdio aos atos de repressão da polícia carioca que culminaram com a morte do estudante Édson Luis. Destaques para os discursos do deputado Francisco Souto “Com atitudes dessa natureza o governo cada dia mais se afasta do povo, procurando reprimir as manifestações estudantis com a sanha policialesca que é um atestado do clima de insegurança em que vive o país”, e do deputado Mário Silveira “ Esses arreganhos de prepotência, esses insultos ao direito do homem e do cidadão, são uma prova de que este dispositivo montado em 1964 está sofrendo um processo de decomposição”.
O Ministério da Justiça distribuiu nota oficial ressaltando que “o Governo compreende os sentimentos da juventude brasileira, mas não tolerará nem a agitação nem a repressão policial em termos de vigilância desnecessária”.
• esse texto faz parte da série “COMO A PARAÍBA VIVEU O ANO DE 1968”
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