RC, a Cultura e o vôo do Cafuçú

Como dito, ou prometido, eis que me vejo tomado pela necessidade de analisar o estrago que o governador Ricardo Coutinho causou com a atividade cultural do Estado ao anunciar que no seu Governo não há espaço para investir em eventos como o Carnaval por entender que se trata de um segmento desprovido de justificativa para tal.

Aliás, os últimos dias têm sido animados até com a decisão do Cafuçu de deixar a Associação Folia de Rua passando a ser bloco independente.

Vamos por parte, como diz aquele famoso personagem do cinema.

A postura do governador Ricardo de recusar apoiar efetivamente os carnavais significa sua nova identidade diferente da outrora, quando precisou desse segmento – especialmente o Folia de Rua para galgar estágios políticos, hoje se entendendo como exploração e intromissão indébita.

Quando surgiu na vida pública como vereador de João Pessoa, RC era outro. Hoje, diante do que ele apronta – de fato e inverso do prometido, se entende seu passado como aproveitador, oportunista e tudo o que se possa dizer, porque usufruiu da boa –vontade das várias gerações acreditando nele – o que na essência ele não tinha a dar, mas enganava como ator na cena politica.

Lembro-me bem, quando Chico Noronha mandava na cultura da Capital, através do SESC, nos idos anos 80, da imploração feita pelo movimento cultural ao vereador Tavinho Santos – autor originário da Lei Viva Cultura, para que – pelo apelo de Raimundo Nonato Batista, Chico Noronha, Paulo de Tácio, Pedro Osmar, eu também,etc, ele (Tavinho) cedesse o projeto-de-lei para o então “representante da Cultura” – Sr Ricardo Coutinho assumisse publicamente essa bandeira.

De Tavinho, deve-se o gesto de grandeza ao ceder no que hoje sabemos não deveria.

Daí em diante, o político Ricardo tomou conta da cena cultural, envolveu-se com todos os movimentos da área, especialmente o Folia de Rua – atraindo a insanidade de Fuba ao ceder o hino das Muriçocas para ser o da campanha para prefeito, enfim, todas as lutas possíveis e imagináveis – lá estava o Mago à frente.

Prefeito eleito, logo cedo começou a por as unhas de fora. Negou diálogos com dirigentes das diversas habilidades artísticas, se cercou de um grupo ideologicamente anulado de atitude própria para servir ao projeto ricardiano até adotar alguns projetos que se entendia como novo: o circuito de praças e eventos, muitos eventos.

Até tomou uma iniciativa que se esperava louvável: ter Chico César como gestor desse processo contemporâneo.
Em síntese, na Prefeitura o projeto em curso gerou um forte reforço que foi colocar artistas tocando para ninguém rivalizando a cena dos bairros com equipamentos de ginástica para significar modernidade cultural e física. Sei de inúmeros casos em que o artista contratado com poucos contos de réis tocou para ninguém .

Esta cena municipal foi transferida, in totum, para a conjuntura estadual com os mesmos personagens movidos a uma exposição enorme de projetos e eventos que, na essência, só beneficiaram amigos do Secretário de Cultura.

Os artistas de renome e da terra, a exemplo de Vital Farias, Renata Arruda, Capilé, Antonio Barros e Cecéu, Diana Miranda, Roberta Miranda, Glorinha Gadelha, etc foram substituídos por Rita Lee, Zeca Baleiro, Ivan Lins, a turma da Bahia, de Pernambuco – todos, sem exceção, da patota do secretário de Cultura.

Antes das pedras, um registro: todos os contratos deveriam vir e assim compor a programação, mas não da forma em que se alija os grandes valores da Paraiba em nome de uma perseguição política pequena e inqualificável. ]

Diga-se de passagem que todos têm justificativa para estar conosco, só que são muitos deles da relação pessoal do dirigente que exclui seus companheiros de luta.


Este histórico explica porque, ao invés de dialogar com as varias ramificações da cultura, o Governo e sua trupe se isolam e fingem com política de eventos imaginar que a sociedade não está atenta para esta (im)postura de política cultural negando a cidades como Campina o respeito e o apoio que ela merece no campo cultural.

Em síntese, quando o governador nega apoio ao Folia de Rua está provado que ele assume a sua verdadeira face – a de líder político insensível e enganador, por isso haverá de colher o que planta de tanta maldade na relação com as pessoas.

Do contrário, a Paraiba velha de guerra se transformará em feudo de quem não merecemos.

CAFUÇU

Sim, quanto ao bloco irreverente falarei mais na frente, já já, para mostrar o equivo político de quem não enxerga o fosso construído ao sabor de vaidade e de grana, que ergue e destrói coisas belas.
Aguardem.

ULTIMA


“Todo esse amor reprimido/ essa samba contido/
Esse samba no escuro…”

 

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