No início de fevereiro de 1968 os estudantes excedentes transferiram o acampamento de Tambaú para se instalarem em frente ao prédio da Reitoria da UFPb, no início da avenida Getúlio Vargas.
No dia 08 foram surpreendidos com a visita do governador João Agripino que encerrara mais cedo seu expediente no Palácio da Redenção para ir pessoalmente hipotecar seu apoio ao movimento dos estudantes. Na oportunidade usou da palavra e afirmou: “Agradeço a vocês a colaboração com o governo por não perturbarem a ordem pública. Eu considero perfeitamente legitimo o pleito de vocês, no sentido de conhecer as notas, não só dos que são aprovados, como todos os que foram classificados. O pior que pode acontecer a um país é não haver condições para estudar, porque o povo fica sem instrução”.
O fato é que a solidariedade do governante da Paraíba foi fundamental para que a coordenação do vestibular decidisse liberar as notas que vinha recusando em fazê-lo. Isso estava dificultando identificar quais e quantos alunos teriam obtido a nota mínima de aprovação que lhes daria condições de reivindicar matrícula nos cursos de medicina e direito. Com a divulgação foi conhecida a relação dos excedentes, 166 em medicina e 28 em direito.
Durante todo o mês houve uma mobilização do governo, de políticos, lideranças estudantis, e da própria administração da Universidade, no sentido de buscar uma solução para a questão. Por várias vezes uma comissão de estudantes, acompanhada do governador e do reitor, foi a Brasília desenvolver gestões junto a o governo federal na tentativa de resolver o problema.
Os alunos de direito, até em razão de ser um quantitativo menor, conseguiram a matrícula em pouco tempo, mas os aprovados no curso de medicina continuaram na luta.
Surgiu então a idéia de criar uma faculdade de medicina em Campina Grande. Esforços nessa direção passaram a ser desenvolvidos em caráter de urgência. O governador encaminhou à Assembléia Legislativa pedido de abertura de crédito no valor de cinqüenta mil cruzeiros novos para garantir o funcionamento da faculdade.
Na manhã do dia cinco de março realizaram um comício no local do acampamento em que se destacaram os discursos de lideranças estudantis como: Carlos Bezerril da Faculdade de Medicina da UFPb, Hélcio Lima da União Estadual dos Estudantes da Paraíba, Rubens Pinto Lira do Diretório Acadêmico da Faculdade de Direito, os excedentes Pedro de Carvalho e Paulo Roberto Miranda e o presidente em exercício do DCE, Francisco Barreto que, no seu pronunciamento, denunciou: “O problema do excedente é também um problema do povo e quanto à estrutura da atual política educacional de limitação de vagas nas universidades públicas há um processo vigente de elitização do ensino no país”.
Em reunião realizada no dia nove de março, com as presenças do governador, do vice-reitor da UFPb professor Serafim Martinez e de Francisco Barreto representando o DCE, chegaram à definição da criação da faculdade em Campina e todos os excedentes desse curso estavam então autorizados a se matricularem, o que motivou um comício de encerramento logo após a reunião, onde os estudantes manifestaram a satisfação com os resultados da luta e agradeceram as autoridades que se envolveram no enfrentamento da questão, encerrando assim o acampamento localizado na avenida Getúlio Vargas.
• esse texto faz parte da série COMO A PARAIBA VIVEU O ANO DE 1968
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