{arquivo}Enfim, algumas cidades paraibanas passaram a conhecer uma síntese da política cultural em curso sob a égide catolaica de Chico César percorrendo dez municipios do Interior paraibano como marco da gestão do Secretário de Cultura – um dos artistas mais festejados do País, agora gestor.
Vou repetir o que li no site do Governo: “ O projeto Fogueiras da Cultura é executado de acordo com as políticas de interiorização das ações culturais e democratização do acesso à cultura, definidas como prioridades da gestão estadual. De acordo com o secretário da Cultura, Chico César, “esta é mais uma ferramenta de afirmação da identidade paraibana. Estamos promovendo a cidadania e empoderando o movimento cultural do Estado”.
Tem uma parte boa nesta ação e intenção inovadora (?): abrigou artistas paraibanos, a exemplo de Alexandre Pé de Serra, Flor de Caroá e Beto Brito – o piauiense mais paraibano que conheço, depois de Ruth Avelino ao lado de Davi Fernandes, como a reproduzir a expressão do incentivo artístico – cultural. Trata-se de uma iniciativa bacana, sem dúvidas, entretanto, inconclusa.
Mas, em que pese o culto ao que representa criatura e criador agora tratados, há tempo que aguardamos uma Política Cultural mais densa, mais abrangente e esteio de uma estruturação inovadora capaz de tirar do Poder Público a feitura de eventos permitindo a ele o “santo oficio” de gerar as condições para garantir a produtores e artistas nas várias escalas a função de escolher e promover a famosa política de incentivo real.
Sei que os valores atraidos foram poucos, mas o custo da caravana não consegue excluir a intenção de se dialogar muito mais com o Interior do que os grandes conglomerados, a partir de João Pessoa e Campina Grande deixando sub-entender que para isso pode surgir recursos, para outras ações maiores, não. Configura-se como estratégia política ideológica com fins conhecidos.
Além do mais, não precisa inventar a roda. As políticas estão postas, desde o Minc passando pelas instâncias democráticas das conferencias, as leis de incentivo, pólos de cultura, etc, e a necessidade de ampliar maximamente o volume de recursos e a partilha máxima para gerar movimento e auto sustentação da classe artística.
Faz tempo ainda sinto falta do diálogo tão cobrado em épocas passadas para contemplar a todos os segmentos da cultura, e não apenas a uns em detrimento de outros. Sou, por exemplo, apaixonado pela música, mas não me sinto à vontade ao ver tantas outras categorias e / ou habilitações artísticas desprovidas de uma política serena, convergente e contínua.
Aliás, tratar de cultura sem apontar meios de atrair recursos é conceituar teses vãs sem possibilidade de se transformar em política perene. Daí a carência e grande falta que faz ter informações sobre o futuro do FIC (Fundo de Incentivo Cultural), cujo volume de verbas só faz diminuir quando, ao contrário, no atual governo só deveria aumentar com critérios de distribuição transparente.
Se reparar bem, faltam projetos e quem consiga captar recursos fora do Estado, junto à iniciativa privada, aos organismos de fomento tão conhecidos.
Mas, enquanto só se passaram seis meses, e o circuito da “Fogueira” só incendiou as dez cidades do Interior, ainda sigo acreditando que a política cultural comandada por Chico César um dia estará além dos poucos abrigos de agora e passará a ser a referência muito maior do que quando ele participava do Musiclube em busca de vez ao sol, “revolucionando” os ambientes exigindo circo além do pão.
É preciso muito, muito mais mesmo. Particularmente, como disse, continuo acreditando e esperando o dia do bem-virá.
