{arquivo}A ascensão do governador Ricardo Coutinho no comando da máquina administrativa do Estado gerou uma alta expectativa de curto e médio prazos na direção de um novo ciclo politico, como se estivesse enfim disponível uma práxis política diferente de todas as existentes, se comparada aos demais governos anteriores.
E, de fato, há um novo processo em curso promovendo inúmeras novidades – muitas delas restritivas, sob o argumento de que somente assim a vida pública do Estado poderá se sobrepor às dificuldades ao tempo vigente.
É compreensível, posto que não é novo atribuir todas as mazelas ao antecessor, se bem que responsabilizar o governo anterior pela herança total é incluir nesse balaio histórico até mesmo o maior dos responsáveis pela ascensão do governo do PSB, no caso o ex-governador Cássio Cunha Lima, porque a divida total exposta agora é somatório de uma continuidade de gestões.
Mas, sem entrar ainda no mérito de tantas medidas restritivas postas em prática, creio que o governador precisa se inteirar melhor de como alguns de seus aliados mais próximos, do núcleo chamado Coletivo, andam aprontando de arrogância, intolerância e má educação em diversos níveis e setores do Governo.
O fato é que, à exceção dos que são visivelmente identificados como favoráveis ou eleitores declarados do governador, todos que não são tipificados nessa condição política básica terminam por serem tratados pejorativamente, como são muitos os relatos, sem promover mudanças conceituais na forma prometida.
Um exemplo: na Procuradoria Geral há um clima terrível aos que tiveram vinculo com governo anterior, onde três servidoras comissionadas foram afastadas mas em seus lugares imediatamente chegaram outras quatro. Não houve redução de gasto, portanto.
Mesmo neste cenário ainda de adaptação nada é mais constrangedor do que a forma com que antigos amigos ou aliados de lutas históricas estão sendo tratados. Na Cultura, onde pontifica até a aura aplaudida de gente reconhecida, o clima e a forma de tratamento com quem não esteve na campanha é de dar dó, pranto mesmo, porque as pessoas estão perdendo o bom senso na conduta de relacionamento humano básico.
A impressão é de que, muitos agem como se estivessem numa fase pós Revolução ideológica esquerdista forte tratando a todos os que não foram alistados na tropa vencedora como desertores, escórias, o resto do resto que na essência – todo esse universo chama-se cidadãos, artistas, gentes do bem a merecer respeito e trato decente. Somente só.
Felizmente, todos os maus gestos têm merecido registro, mas ninguém se dispõe ao contra-ataque, à revolta maluca e inconsequente, porque a maioria quer e vai torcer para a Paraíba dar certo e possa, enfim, construir a unidade superando as divergências e gerar um Pacto de convivência à altura do que precisamos sem amuos, caras feias, porque o inimigo está muito distante da geração que lutou e contribuiu para a conquista do Poder.
Há de ser dito ainda que a vitória de Ricardo é fruto de sua aura, historia e gestão, nunca por sua identidade esquerdista apenas – que é elemento respeitado, mas não foi mais forte do que sua postura de gerar uma administração na Capital sem escândalos, com resultados positivos, portanto, o governador tem uma missão e compromissos com todos e não pode permitir a expansão da cultura entre seus aliados radicais de tratar mal até mesmo quem já lhe foi muito útil.
Em síntese, tem gente no governo que precisa baixar a bola, voltar à normalidade da vida natural porque tudo passa, tudo passará e a afirmação da durabilidade do projeto em curso está na competência, nos resultados e na forma de tratar bem a todos. O contrário disso é retrocesso, má educação política e desatenção a uma proposta defendida ardorosamente de uma nova fase na Paraíba, mas sem perseguição nem arrogância tanta, algo que Ricardo Coutinho certamente não admite nem admitirá, mas tem gente que está agindo assim.