Homenagens Equivocadas

Outro dia ocupei este espaço para lembrar homenagens prestadas a nomes os mais ilustres, em equipamentos públicos ou privados fora das atividades em que se notabilizaram seus patronos. Referi-me à Medalha do Mérito Esportivo Tarcisio Burity, nome que para mim poderia honrar qualquer comenda, desde que vinculada às suas qualificações. Não sei se alguém do Tribunal de Contas leu o que escrevi, mas naquela instituição foi criado um premio Tarcisio de Miranda Burity para laurear os vencedores do concurso de artigos sobre administração publica e controle externo dos seus atos. Tudo a ver!

Explorar o nome de Frei Damião, por exemplo, virou moda em Guarabira. O homem já era endeusado na região e depois que Lea Toscano e Monsenhor Zé Nicodemus lhe tributaram um monumento, ampliou-se a fama de homem puro e santo. Até posto de gasolina já tem o nome dele. Na Capital, Wilson Braga o elegeu patrono de uma maternidade. O equivoco da homenagem ficou patenteado com uma manchete de um dos nossos jornais: “Frei Damião fará aborto”. Como homem e como beato, a noticia injuriava o capuchinho. Tratava-se, simplesmente, de uma determinação do SUS, credenciando a referida maternidade para a prática dos abortos legais.

E a noticia de que “Valentina Figueiredo está cheia de buracos”? Fosse vivo, o general seu filho prendia e arrebentava…

Augusto dos Anjos, poeta do Eu, em Sapé é de todos e ostenta seu nome em empreendimentos diversificados. Se um dia Augusto, “exausto de pisar mágoas pisadas” ansiar o retorno ao seu pé de tamarindo, só para rever o “sepulcro da loura virgem bela”, duvido muito que agradeça a homenagem saída de “tegumentárias mãos plebeias” mas sinceras, do meu amigo Antonio Simplício, dono da Casa Lotérica Augusto dos Anjos.

O Centro Administrativo do Estado tem a denominação de Tancredo Neves. Fui autor do projeto que virou lei. Nunca colocaram uma placa no local. Mas em Mandacaru, mesmo com letras tortas e mal desenhadas, a Borracharia Tancredo Neves imortaliza esse nome. Os equívocos se repetem em toda parte. O Estádio Bezerrão em Bananeiras, tem o nome de Governador Clovis Bezerra. O Ramalhào, reverencia o prefeito Arlindo Ramalho. Os dois, mesmo merecedores da homenagem, nunca foram desportistas.. Humberto Lucena, nome de hospital, é um trauma. A imprensa lembra a função do hospital e esquece o patrono. Em escola, em um fórum judicial, quando acabar nome de desembargador, ficaria melhor o seu nome.

Outras homenagens, mesmo condizentes são duvidosas. Como aplaudir a vinculação do nome do desembargador e professor de direito de varias gerações, Flóscolo da Nóbrega, a uma penitenciária exemplo do que existe de pior em desrespeito aos direitos humanos? E Geraldo Beltrão, advogado brilhante, também ser nome de presídio!… Não é de se admirar, pois nesta Terra de Santa Cruz, nome de lei em vez do nome do autor, ganha o nome do réu. Lembram da Lei Fleury? E mais recentemente, a Emenda Maluf?

Para encerrar, enterrando nas profundas a vaidade do baiano Rui Barbosa, encontrei na Torrelândia a “Troca de Óleo Rui Barbosa”. Vejam onde foi parar o Águia de Haia!

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