A cada dia se estreita mais a faixa de permissividade da propaganda eleitoral. A lei vem aumentando seu rigor também com relação às condutas vedadas que implicam no desequilíbrio entre os candidatos. A partir do primeiro dia do ano eleitoral, por exemplo, os gestores estão impedidos de executar programas que impliquem em doar bens e/ou serviços, caso esses benefícios não estivessem previstos desde o ano anterior ao pleito. Para alegria de empresas de marketings, antes impedidas de vender produtos eleitorais em outdoor, permitir-se-á a exibição do sorriso aberto dos candidatos em placas de dois metros por dois. Pintar muro, propaganda barata mas de extrema poluição visual, nem pensar.
A ninguém é dado o direito de negar que a Justiça Eleitoral tem se esforçado em punir os infratores. Difícil será esconder também que alguns têm exagerado na propaganda antecipada. De nada adiantou a multa aplicada ao primeiro mandatário desta Nação por exagerar na defesa da sua candidata. A comprovação do que se afirma está contido no recente programa do PT. Nele, o Presidente abriu mão de toda sua ação administrativa, confessou ser um mero executor das idéias e programas imaginados pela sua candidata. Sabe-se agora: Dilma não somente coordenava o Governo. Ela também idealizou, repito todos os programas sociais que deram ao Presidente Lula o maior índice de aprovação dos brasileiros e brasileiras. Melhor apresentação não poderia ser tramada. Nunca na história deste País se encontrou alguém melhor para continuar o que já vinha fazendo. Sem traumas ou transição. Dilma fazia e vai continuar fazendo, foi o que se traduziu do programa midiático do ex-partido dos trabalhadores.
Por estas bandas, um candidato renuncia ao cargo de prefeito para enfrentar um Governador candidato a reeleição e montado na máquina administrativa que comanda. Onde vislumbrar equidade, como prega a lei, nas forças que se enfrentam? Quem continua no poder, pensa que pode tudo. Quem o deixa, passa até a sofrer baixas em suas fileiras, vítima do assédio dos que anunciam um novo tempo de prosperidade. A mídia comprometida com os donos do poder cuida de aumentar a dimensão dessas perdas. Por outro lado, qualquer publicidade que possa beneficiar a oposição, mesmo indiretamente, passa a ser policiada como abuso e se denuncia com freqüência ä Justiça. A Rede Globo foi pressionada a retirar do ar os spots que anunciavam os seus 45 anos de existência. O numero, por coincidência, é o mesmo do candidato Serra. Não pode. A mesma emissora está revivendo a novela O Barão de Araruna. Se lhe fosse conveniente, Potinho de Veneno, famoso personagem rubensniano ligaria o Barão à cidade natal do atual ocupante do Palácio. E sentenciaria: o Barão botou o Luciano no tronco. Que sofrimento!!!…O PT virou escravo da senzala do Barão de Araruna! Potinho seria multado!
Não conseguiram impedir os Encontrões da Oposição. Será que vão querer impedir o inicio da novela Girassol, anunciada para setembro? Essa flor simboliza a campanha do Mago, gente! Exageros à parte, já ouvi dizer que os donos do restaurante Olho de Lula, depois do programa do PT, querem mudar o nome da casa para Olho de Dilma. De minha parte, estou receoso de que tentem impedir o Maior São João Pé de Serra do Mundo, em Bananeiras. Podem pensar que o pé é do Serra e não da serra. Seria uma alusão disfarçada ao candidato da oposição, diriam. Se o São João for Pé de Dilma, pode?
P.S. O Barão de Araruna verdadeiro, não o da ficção, chamava-se Estevam José da Rocha. Segundo Maurílio Almeida (O Barão de Araruna e sua prole) o Barão, ao morrer, deixou inúmeras propriedades encravadas no brejo e curimataú. Um de seus filhos ampliou essa fortuna. Era Felinto Florentino da Rocha que ganhou o titulo de Comendador e nome de rua em Bananeiras. Sabe-se que a Comenda ele a conseguiu graças ao pernambucano Conselheiro João Alfredo e à sua influencia junto ao Barão do Rio Branco. Devo a essa ação nobiliárquica, o meu endereço em Bananeiras, na rua Barão do Rio Branco, casa que pertenceu a um descendente do Barão de Araruna.

