As duas realidades e suas reações




NATAL – A tecnologia insiste em se manter fantástica para quem convive com a comunicação. É o que atestamos estando na capital norte-riograndense, mas acompanhando os bastidores da conjuntura política apertando o tempo dos pré-candidatos José Maranhão e Ricardo Coutinho.

Ambos vivem contextos distintos, diferentes mesmo, porque no caso de Maranhão ele é soberano na análise e na futura escolha dos parceiros, diferentemente de Ricardo que, mesmo dizendo que vai escolher o vice (e até pode), sabe que não levar em conta a força opinativa de Cássio é correr riscos. Por uma razão simples: sem o ex-governador Ricardo inexiste eleitoralmente com chances neste momento.

No lado do governador, o drama é saber onde vai ficar o PT e quem será o segundo candidato ao senado, porque Vitalzinho aparece mais consolidado do que Wilson Santiago, este avançando com força para conquistar a segunda vaga, que ainda depende do PT nacional. Em qualquer que seja o cenário, Maranhão tem domínio de cena e dá as cartas conhecendo a todos os atores de Cabedelo a Cajazeiras.

No caso de Ricardo, perdura sua dimensão enquanto gestor de João Pessoa – condição que de fato lhe credencia como pretendente ao Palácio da Redenção, mas, como atestam as pesquisas, os fatores diferenciados (em tese) comumente chamados para criar mudança de governo se atenuam no decorrer dos dias em face do desempenho de Maranhão satisfazendo o interesso do cidadão, além do mais o fator de novidade na trajetória do ex-prefeito deixou de existir quando buscou valores passados, lideres já requentados, fulminando com seu ar de novidade.

Mas, em que pese os fatores conjunturais, a questão mais difícil de entender está no próprio Ricardo, responsável pelas perdas seqüenciadas de muita gente de valor em torno dele até algum tempo, mas que se foram e hoje se posicionam contrários ao projeto do ex-prefeito.

Consolida-se no meio político e dos setores organizados o conceito de que o principal adversário de Ricardo é ele próprio com sua índole indomável, seu mau humor e incapacidade de ouvir mais, de compreender que seu querer não é maior nem menor de qualquer outro cidadão,  mesmo tendo ele a distinção de uma trajetória de vitórias, mas afetada nos últimos tempos pelo próprio andar tropeçado do líder do PSB, como se ele estivesse sem saber criando as condições da própria derrota para saber vencer.

Isso é tão sério que sua campanha anda desencontrada e ele sem saber se impor como comandante do processo, que já foi e não aparenta mais.

Como se vê, Maranhão e Ricardo vivem a pressão das definições mas, abstraindo os desejos, interesses e torcidas, o fato é que a conjuntura já não é mais favorável ao ex-prefeito como antes, pelo menos a dados da atualidade.

Esta é a realidade nua e crua.

 

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