Além da improvável desistência, a fragilidade

LISBOA – Tempo nublado por aqui, temperatura média de 12% e o calor no Parlamento Português discutindo o mais rigoroso Programa de Estabilidade do Crescimento neste País afetando mais fortemente as bases sociais do Estado – os mais pobres na linguagem direta, mas tendo o quengo da Torrelândia sem desgrudar das coisas de nossa aldeia.

Depois falo (escrevo) sobre o PEC a promover o mais expressivo arrocho salarial e de serviços dos últimos 80 anos de Portugal. Mas, agora,chama a atenção a boataria que tomou conta de João Pessoa sobre a possibilidade de Ricardo Coutinho desistir de ser candidato – o que precisaria fazê-lo (desistir) até o próximo dia 2 de abril. É claro que não passa de mera e desrespeitosa boataria. É mesmo?

Guardadas as proporções, Ricardo vive o mesmo drama fatal do governador José Serra, político hábil, respeitado, mas já sem as menções de vitoria certa sobre sua principal concorrente, Dilma Roussef, ao contrário, porque de acordo com as pesquisas ela tende a vencer a disputa presidencial em se mantendo o nível do processo de hoje.

Ricardo Coutinho também já foi líder das pesquisas. Era o que todos os meninos chamam na Torre de imbatível. Era, mas já não o é mais, com base nas aferições temporais feitas por institutos diferentes.

Se não o é ele (Ricardo) sabe que isso é fruto de uma conjuntura em parte construída por ele proprio na base do pragmatismo surtindo efeito contrário, diferente do planejado por seus marqueteiros.

Ele já está eliminado, liquidado? Claro que não. Tem ainda musculatura, embora a quebra de paradigma e os efeitos de tudo isso tendem a se transformar em tendência negativa para seu projeto – aí isso poderá lhe levar ao mais sério revés,derrota mesmo de sua ascendente trajetória política.

O fato é que, independentemente de realismo, o boato solto por Fabiano Gomes – um profissional de tino e muito próximo do ex-governador Cássio, pode até ser uma insatisfação grosseira por qualquer motivo, mas saindo dele com os ouvidos e acessos que tem – na pratica a conjuntura pode atingir a alma do que a maioria das pessoas desconhecem em Ricardo que são os momentos humanos de depré.

Logo ele, muito orgulhoso, começar a conviver com números ligando-o à derrota eleitoral! É algo que Freud explica mesmo na atualidade existindo teses mais fortes sobre a questão.

Mas, o tempo trabalha contra Ricardo. Seja em qual for o cenário psicológico ou eleitoral ele vai precisar decidir até o próximo dia 2 – um dia depois da data da mentira – a partir de então precisando enfrentar tudo,inclusive a perspectiva de derrota mesmo porque ele é humano e como tal passível também de viver com revés.

De perto ou de longe acompanhemos os passos do senhor prefeito, pré-candidato do PSB.

Voltaremos à tese.

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