Depois de muitos desmentidos e conversas especuladoras de toda a ordem, eis que, enfim, o prefeito Ricardo Coutinho, pré-candidato ao Governo pelo PSB, assumiu nos últimos tempos a decisão de aceitar o ex-governador Cássio Cunha Lima e o senador Efraim Morais como principais apoiadores de seu projeto na busca de assumir o Governo do Estado.
Independentemente de conceitos e de projetos pessoais a merecer compreensão, na prática Ricardo foi picado pela mosca azul do poder ao priorizar a disputa pelo Governo já agora descartando várias hipóteses, também plausíveis e aceitáveis, como seria disputar uma Senatoria mantendo assim a aliança de 2006, do que aventurar a eleição contra o governador José Maranhão, cujas chances de vitória existem, ultimamente com índices bem menores do que antes, aliás, sem o favoritismo inabalável de outrora.
Ricardo, sem dúvidas, é a maior expressão da nova safra de novos lideres rivalizando com Veneziano Vital essa condicionante depois que o PT não conseguiu apresentar alternativas nesse naipe e diante da condição de Cássio, Cícero e Efraim já não serem mais caras novas.
Quem conhece a trajetória de Ricardo sabe que seu grande trunfo para atingir o grau de liderança foi estar ao lado das grandes lutas sociais transportes, saúde, segurança, cultura, etc forjando-se assim ao lado do setor mais à esquerda (PT, PC do B, etc) e de centro como o PMDB.
A expressão de Ricardo sempre esteve aprisionada a esse modelo à esquerda e de renovação, como se configurou sua gestão à frente da Prefeitura da Capital produzindo ações reformistas, embora não exista um patamar revolucionário como se pretende dizer no discurso, mas com forte aprovação da sociedade. Não dá para negar.
Foi esse patamar de aprovação que incitou o Coletivo mais próximo de Ricardo a antecipar sua inserção na disputa pelo Governo. Aliás, essa condição era maior quando Cássio era governador e o então senador Maranhão parecia uma liderança em fim de carreira em face da sua idade.
Por essas e outras, o prefeito passou a percorrer as varias regiões do Estado espalhando essa hipótese de candidatura, mais reforçada depois da cassação do ex-governador.
Só que a nova configuração política com a ascensão do governador Maranhão construiu um panorama muito diferente do que Ricardo estava acostumado porque o chefe do executivo é experiente, tem muita habilidade nos bastidores, sabe cuidar das finanças e tem provado estar com pique de colegial. O poder parece ser energizante, afrodisíaco na nova fase de Maranhão.
De fevereiro para cá, embora só esteja mostrando atos de mais impacto agora, porque precisou de tempo para ajustar políticas e equipe, Maranhão modificou a relação de partidos, a perspectiva de entendimentos com a classe política, os setores produtivos, portanto, como a força do capital oficial de Governo interfere muito aqui, em Brasília ou São Paulo o saldo é de uma repaginação da conjuntura fazendo o governador estar no páreo com chances e já podendo peitar Ricardo até mesmo com apoio de Cássio e Efraim.
Como resolveu sair na Paraíba da base aliada de Lula (PMDB, PT,PC do B,etc) para ficar com o ex-governador (ainda não tendo o PSDB todo) e o DEM, Ricardo passa a conviver a partir de agora com um debate em nível diferente de outras fases porque, embora não estejamos em tempo de patrulhamento ideológico, sua aproximação e casamento publico com os Democratas lhe fará perder valores.
É claro que o DEM oferece estrutura interiorana, mas em termos conceituais a linha ideológica de Efraim é dispare em relação ao prefeito e o momento do anuncio de fidelidade entre eles não é o mais adequado porque o DEM vive a pior crise de sua vida com o escândalo de Brasília (vide Arruda).
No caso de Cássio, não há mancha ideológica, mas o ex-governador como maior expressão do PSDB não está conseguindo, nem conseguirá, demover o senador Cícero Lucena de candidatura projetando assim dias de muitos dissabores entre eles.
Em síntese, Ricardo apressou-se, vai casar com o DEM e conviverá com tudo o que existe numa opção: ganha-se de um lado, e perde de outro.
No caso em tela, ele perde o mais precioso sua coerência ideológica e programática porque, agindo pragmaticamente, parece ser capaz de tudo para atingir o objetivo do Poder. Ele não entende nem enxerga hoje, mas teria todos esses apoios mais na frente sem o custo do que vai ter de pagar porque passa a ser o novo com atitudes velhas, distante do que apregoava.
