PT: a força reenergizada e o futuro

NATAL – O Brasil acompanha neste domingo com muita atenção as eleições do Partido dos Trabalhadores envolvendo mais de 1 milhão e 350 mil filiados em 4 mil municípios dando-lhe a condição de ser a única legenda no Pais a escolher seus dirigentes pelo voto direto de cada filiado. Na Paraíba, dos 23 mil filiados a expectativa é de que entre 12 e 13 mil elejam hoje o presidente nacional, estadual e municipal.

Esta musculatura política e dimensão nacional é que dá ao partido do presidente Lula a perspectiva de quem se prepara com a mobilização de sua militância meios de tentar eleger Dilma Roussef sucessora do atual chefe do executivo da Presidência da República. Depois do Mensalão, que quase aniquilou o PT, é a primeira vez que a legenda se mobiliza com fôlego de gente grande, do tamanho de sua historia.

No âmbito nacional, seus candidatos disputam a presidência, embora considere que José Eduardo Dutra, do campo Construindo Novo Brasil, se apresente como o favorito , provável vencedor das eleições. Os demais candidatos são Iriny Lopes (Chapa Esquerda Socialista), Markus Sokol (Chapa Terra, Trabalho e Soberania), José Eduardo Cardozo (Chapa Mensagem ao Partido), Geraldo Magela (Chapa Movimento: Partido para Todos) e Serge Goulart (Chapa Virar à Esquerda, Reatar com o Socialismo).

Conforme levantamos junto ao Diretório Nacional, as eleições acontecem nos diretórios municipais ou zonais onde a pessoa é filiada. Como em PEDs anteriores, haverá uma urna especial em Brasília para os petistas que trabalham na capital federal.

É este PT – de expressão ideológica ainda abrigando tendências divergentes no campo da esquerda, embora convergente enquanto construção do futuro do Brasil em torno da Ministra Dilma, que sai das urnas no início da noite oferecendo ao País a demonstração de força e mobilização para buscar avançar com as conquistas advindas do Governo Lula.

O significado da disputa na Paraíba

O Partido dos Trabalhadores em nosso Estado enfrenta as urnas neste domingo mobilizado em torno de duas propostas distintas: uma, em torno do atual presidente, deputado federal Luiz Couto – nome de maior densidade dentro e fora do partido defendendo a proposta de aliança com a pré-candidatura de Ricardo Coutinho ao Governo; a outra, composta por várias tendências agrupadas em torno do deputado estadual Rodrigo Soares busca manter a aliança com o PMDB e dos demais partidos de esquerda (incluindo o PSB) devendo redundar em renovação de convivência e apoio ao governador Maranhão.

É este elemento projetado para 2010 que promoveu novo cenário de futuro no PT. Até antes de Luiz Couto se antecipar pro Ricardo, havia um movimento de todos se abrigarem no apoio ao atual presidente do partido, mas a realidade tomou novo rumo porque a escolha de Luiz destruía a aliança com o PMDB, partido ratificado como prioridade pelo PT nacional, daí a construção da candidatura de Rodrigo, que chega às vésperas da disputa com chances de vitoria.

Por mais contraditório que possa existir, incluindo nessa avaliação comentários de aliados de Luiz projetando a vitória dele – vide Júlio Rafael, na prática a impressão é de que Rodrigo soube construir uma proposta e campanha de mais proporção, mesmo que seu concorrente atribua isso à máquina do governo ignorando que o apoio aberto de Ricardo Coutinho possa significar idêntico procedimento.

Este aspecto, de apoio externo repercute, mas não é tudo. Na prática, Luiz conduziu uma campanha muito raivosa, intolerante na convivência com pessoas da sua tendência CNB, que tomaram novo rumo a exemplo de Rodrigo e Anselmo Castilho, entre outros, porque foi o atual presidente quem quis se afastar da aliança construída em 2006 subindo no palanque com Maranhão.

Em síntese, a hipótese de Luiz vencer existe mas, no nosso entendimento, em tamanho menor do que a de Rodrigo, este favorito.

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