O governador e a eleição na OAB

Nas rodas mais atentas aos fatos políticos do Estado, o assunto mais comentado nas últimas horas é a entrevista concedida pelo governador José Maranhão ao jornalista Arimatéia Souza, na 101 FM, considerando ecléticas as chapas de Odon Bezerra e José Mario Porto nas eleições da OAB, mesmo emitindo opinião de que tem simpatia pela chapa do ex-coordenador do PROCON.

A manifestação do governador, mesmo ressaltando limites de sua participação no processo restrita à declaração, é o mote mais forte nesta reta final da campanha em face de uma série de fatores.

Um deles: é a primeira vez que um governante declara simpatia numa disputa para a OAB. Segundo, ao fazer esse tipo de manifestação Maranhão preconiza um ar de simpatia, cuja declaração deve induzir advogados próximos de sua liderança política a considerar esse gesto como recado a seguir o nome referenciado por ele.

Já aí cria um problema porque muita gente importante do mundo do Direito ligada politicamente ao governador tem compromissos antigos com a chapa de Zé Mário.

Mas, a grande questão não é a declaração em si, que já seria muito, mas o contexto em que tudo acontece, sobretudo levando em conta a conjuntura do governador na qual para atingir seus maiores objetivos de futuro ele precisa agregar, somar e não dividir, subtrair porque nesse aspecto último pode acabar refletindo mais na frente na sua grande luta, ou seja, a reeleição em caso de repetir a lógica nas diversas disputas de categorias.

Líder, reconhecidamente capaz, o governador Maranhão foi induzido a uma postura de equivoco estratégico que, no mínimo, lhe coloca na posição incômoda de ser a referência da disputa numa seara inadequada, porque qualquer que seja o resultado será imputada a ele – ou a derrota, caso Zé Mário vença a disputa, ou até mesmo a vitória atraindo ainda assim a insatisfação dos que têm simpatia por sua gestão e/ou projeto político, mas estão com o candidato da situação.

O fato é que o assessoramento não levou em conta que esta não é a maior disputa a envolver o governador, além do mais criou pela primeira vez na história da Ordem dos Advogados do Brasil um envolvimento inédito e inadequado para os tempos atuais, até porque o governador dispõe de amigos nas duas chapas.

A propósito, o governador precisa levar este episódio como referência para outros casos nos quais parte da assessoria possa estar induzindo – o a erros desnecessários, mesmo tendo gente da mais alta categoria ao seu redor.

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