Maranhão, candidatíssimo, muda o Tabuleiro

BRASILIA – Lá, no bairro da Torre, sempre que os meninos decifram alguma estratégia, logo filosofam: ‘só cego não vê’. É o que se aplica na atualidade às manobras de alto grau de sucesso produzidas pelo governador José Maranhão para consolidar sua candidatura à reeleição.

São muitos, incontáveis, os encontros com receptividade feita por Maranhão em todos os níveis, especialmente no campo da política partidária onde tem conversado com ‘meio mundo’ de gente já fechando os apoios para 2010.

Se perguntar a ele, sabido vai até dizer de pés juntos, que não existe nada disso, etecétara e tal, mas em desconformidade com a conjuntura real onde não só já construiu a maioria na Assembléia Legislativa como tem recebido compromisso continuados de prefeitos e vereadores de diversas legendas interior à fora.

Relatemos dois casos, que pode se aplicar a dezenas de outros: anteontem, das 20 horas em diante, ele se reuniu com 6 dos 10 vereadores de Cabedelo (a maioria, portanto) para discutir obras e ações no município. Na prática, está aplainando o caminho de 2010, ninguém tem mais dúvida.

Nesta quarta-feira, na Capital Federal, um peso pesado da Oposição me assegurou que prefeitos ligados a ele já conversaram e se acertaram com o governador para 2010 na cabeça – de chapa. Só que, vejam até onde Maranhão vai, o chefe do executivo tem pedido apoios para Estadual, Federal e Senado.

Ora, todos estão carecas de saber que Maranhão é paciente, engenhoso e vive 24 horas no ar fazendo exclusivamente política no exercício do Governo gerando movimentos em todos os níveis para consolidar sua reeleição.

O PT como alvo

O projeto de reeleição de Maranhão está em tamanho avançado da hora que até mesmo no PT ele já dispõe de apoios suficientes para conquistar a posição majoritária em favor de um pacto em 2010, no qual o partido de Lula pode participar com o Senado (Luiz Couto é o preferido) ou ate mesma a vice com o atual Luciano Cartaxo.

Para refrescar a memória: na primeira reunião do PT no inicio do ano Luiz Couto era consenso em torno de sua candidatura ao Senado; sábado passado perdeu essa condição por 23 a 22, embora na reunião de setembro a vantagem contra Couto será maior tirando o deputado de próximo do prefeito Ricardo Coutinho, na direção oposta do que quer hoje.

As bases petistas estão sendo seduzidas pelo PT governista e pelo próprio Maranhão devendo essa operação refletir no encontro de setembro.

O que resta a Ricardo Coutinho

Diante deste cenário real e inquestionável, às pretensões de Ricardo querer ganhar a disputa governamental restará poucas opções, a mais importante delas será pactuar um novo compromisso com o ex-governador Cássio Cunha Lima, sem duvidas o mais forte candidato ao Senado como puxador de votos.

Se fracassa a relação com o PT, caberá a Ricardo ainda buscar entendimentos com o DEM, de Efraim Morais, que, no pior das hipóteses, tem 39 prefeituras, 2 deputados federais e 6 estaduais podendo ser um foco de reforço eleitoral, sem dúvidas.

Neste contexto, não insiramos purismo ideológico que pouco conta hoje.

Ainda no processo, será indispensável ele (Ricardo) tanger para perto de si os demais partidos de esquerda e as demais legendas de reforço – PTB, PP, PDT – isso se conseguir superar os apelo$ de Maranhão, através de obras e serviços.

Cícero, um complicador?

Nessa conjuntura de conspirações ainda será preciso entender os passos do senador Cícero Lucena, que aposta todas as suas fichas na manutenção da convivência política com Cássio, daí sonhar sem parar com a possibilidade de candidatura ao Governo.

E se ela não emplacar, eleitoralmente, nas avaliações mais à frente? Cássio e Efraim vão com ele de qualquer jeito para segurar o palanque de Serra? Aliás, Cássio ficará com Cícero em qualquer condição? E o projeto de Senado, o PSDB vai ignorar podendo ter mais 1 ou até 2 senadores?

Em síntese, são as respostas às essas perguntas que vão selar o futuro de Cícero como candidato, hoje, num esforço enorme de pouca cumplicidade, como pretendido.

Última

“Vai passar nessa avenida/ um samba popular…”

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