O adeus de Creuza Exemplo de Vida Pires

Como dizia o Lead (primeiro parágrafo) da notícia estampada no portal WSCOM Online, a Paraíba está de luto com a morte da Grande Dama Creuza Pires. Com um detalhe: o sentimento de dor e perda irreparável se dão exatamente em pleno domingo, hoje a transformar o tempo chuvoso em prantos derramados por nossa fragilidade humana.

Só mesmo uma mulher de dimensão humana especial consolida sua viagem ao plano divino em tempo assim, diferente, como se fora para marcar sua passagem em momentos de reflexão.

Seu Adrião, companheiro de todas as horas, da mesma forma que seus filhos, queridos, são a expressão familiar de mais acentuada dor humana, mas mesmo numa hora de sentimento triste asssim nada pode minimizar a grande história e imagem transformadas em exemplo de vida para todos que foi Dona Creuza.

Aliás, desde quando empresária de muito sucesso em João Pessoa, a cidade já à época precisou de seu jeito solidário de contribuir com o progresso econômico e social. Não foi à toa que, quando desprovida de hotéis em condições de hospedar grandes autoridades, a cidade tinha na casa de Dona Creuza e Adriao Pires o aconchego humano típico de pessoas especiais.

Somente ontem soube que em 1967 ela se submetera com sucesso a cirurgia para retirada de câncer no intestino, tanto que curou –se definitivamente. Dois anos atrás, recentemente, nem ela sabia – a família soube nas complicações de agora – ela sofrera infarto, mas também superado.

Só que a vida lhe pregou peças dolorosas demais. Da mesma forma que a colocou no auge do poder financeiro da cidade, lhe impôs a queda vertiginosa dos negócios levando-a a falência comercial criando a partir dessa triste realidade a imagem da Mulher Alegria, Mulher Superação, que carregaria consigo para o resto da vida.

Nunca, em nenhum lugar que se via Dona Creuza, ela deixou-se abater pelo infortúnio advindo de erros de cálculos financeiros e de mudanças dos planos econômicos que no Brasil fizeram várias vitimas, entre elas os Pires.

Ao longo da vida, a partir desse injusto revés, ela passou a construir seu maior patrimônio: a perseverança na convivência com a alegria irradiando familiares e amigos mesmo em momentos difíceis, não lhe faltando nunca testemunhos e palavras de fé, de conforto e de estimulo.

Parece coisa de Deus (com tanta dor assim) imaginar a figura de estatura pequena mas de imensidão humana inigualável em nossa aldeia destemida subindo e descendo ladeiras, envolvida sem igual com as lutas da Melhor Idade, com a simplicidade somente possível entre os que nasceram para ser exemplo especial de vida.

Não sei qual dos adjetivos me emprestaria para defini-la comigo mesmo, mas foi ela em momentos de apreensão que, sem que esperasse ela chegava, e chegava dizendo sorrindo mas com segurança: “Meu filho, tudo vai dar certo porque Deus quer e sua santa protetora, Maria Julia, tem lhe protegido sempre”.

Ela não sabe nem via, mas nas varias vezes que deixou o prédio da WSCOM para visitas inesperadas, era insustentável momentos de prantos porque parecia ser o conforto de minha mãe encarnada na sua pessoa e imagem.

Por essas e outras, ao longo da vida meu carinho por ela se misturava com a imagem de mãe de muitos que ela foi, dos órfãos da figura materna, pela forma exemplar preenchida por seus passos, palavras e afeto.

Agora, triste como Seu Adriao e seus familiares, sou eu, frágil e modesto, quem rogo a Maria Julia e Antonio Cândido (in memorian) para que a receba com festa, com muita alegria – se puderem até toquem a marchinha de carnaval, reapresentem a peça Chapéu Vermelho, sentimentos e historias do que ela sempre se fez de exemplo para superar as injustiças da vida.

Como diz a canção, um dia a gente vai se encontrar.

Última

‘O nome a obra imortaliza…”

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