A verdade e efeitos do Encontro

RIO DE JANEIRO – A esperada reunião do ex-governador Cássio Cunha Lima com deputados da base oposicionista na Assembléia Legislativa nesta quarta-feira, em João Pessoa, permitiu, entre outros aspectos, a reprodução, por iniciativa própria, de duas declarações importantes para a conjuntura e o futuro político do grupo: 1) disse textualmente que nunca conversou com o prefeito Ricardo Coutinho para 2010; e 2) defendeu a escolha de candidato saído entre Cícero/Efraim ou Efraim/Cícero para a disputa ao Governo ratificando assim a unidade oposicionista.

É evidente que, também, ele não disse abertamente na reunião que não conversaria com o prefeito da Capital, entretanto, todas as suas falas e manifestações no encontro ratificaram com todas as letras sua decisão de apoiar o nome escolhido pelo critério de pesquisa de opinião pública apontando em quem estiver melhor posicionado perante o eleitorado.

Só que, prestem bem atenção, Cássio não enxerga no momento viabilidade eleitoral dos seus aliados, tanto que de viva voz declarou que na atualidade só existem duas candidaturas, a de Ricardo Coutinho – tratada por ele como vanguardista -, e a do governador Maranhão, encarada como de inimigos.

Aliás, o ex-governador deixou claro que é preciso que os dois nomes de seu grupo (Efraim e Cícero) precisam se viabilizar.

Teve mais: Cássio afirmou abertamente que viaja agora em maio para temporada nos Estados Unidos, entretanto, chega em agosto com mala e bagagem visando entrar na campanha do Senado com todo seu potencial.

Um outro dado também chamou a atenção: pela primeira vez ele cobrou dos aliados a postura de Oposição mais consistente, firme ao Governo Maranhão.

Ora, se o ex-governador nega entendimentos com Ricardo, se defende candidatura própria do esquema, recomenda Oposição forte a Maranhão e diz que chega em agosto como candidato ao Senado está evidente que, levando em conta esse conjunto de fatores, a Paraíba deve se deparar em tese com três candidaturas ao Governo, mas desde que haja viabilidade eleitoral até la.

Cássio chegou a dizer abertamente que se garante em Campina e indagou, quem garante João Pessoa?

Outro encontro antes da viagem

Como o portal WSCOM Online trouxe mais uma vez em primeira mão, Cássio ainda vai se reunir com Efraim e Cícero na próxima semana antes de embarcar para os Estados Unidos. Terá uma conversa isolada e depois conjunta com os dois senadores.

Ainda com base em sua agenda, dará entrevista coletiva falando de tudo.

Serra ou Aécio terá palanque

A posição revelada pelo ex-governador ratifica a decisão de se manter no PSDB, logo afastando projeções de ingresso no PTB ou PSB e, mais do que isso, está selando o palanque do presidenciável José Serra ou Aécio Neves em 2010.

Na hipótese de segundo turno com três candidaturas, somente assim é que, em não logrando êxito, o agrupamento PSDB/DEM, etc pensará em outro apoio.

O caso dos partidos intermediários

Diante desse cenário será preciso acompanhar e entender como vão ficar o PP (leia-se Enivaldo e Aguinaldo Ribeiro), o PDT ( vide Damião Feliciano), o PTB com Armando Abílio e PR (Wellington Roberto) – este ultimo ratificando que ficará com o grupo do ex-governador.

Deva-se ressaltar que, paralelamente, o PP e o PTB (Armando) estão fechado com Ricardo Coutinho e o PDT vive seu momento de ‘em cima do muro”.

Ninguém se iluda ainda que o governador Maranhão esta na área tentando fisgar apoios.

Ricardo: capitulo à parte

Nome melhor avaliado em pesquisas em poder das lideranças políticas do Estado para o Governo até o presente momento por conta da aprovação e irradiação de sua gestão em João Pessoa, Ricardo se mantém inabalado na estratégia de visitar municípios a cada semana, entretanto, com esse contexto criado com a posição do ex-governador, certamente que precisara reavaliar os novos passos, sobretudo no quesito aliança partidária.

Na prática, Ricardo dispõe hoje de um arco muito expressivo, mas como tem o PMDB no mesmo arco puxando alguns aliados históricos, a exemplo do PT e PC do B, a partir de agora vai precisar redobrar suas atenções até porque tem problemas internos no seu próprio partido, o PSB – leia-se Manoel Junior, Nadja Palitot, Guilherme Almeida, etc.

Com o novo cenário, o prefeito vai precisar rever alguns conceitos/posicionamentos, sobretudo, o que se refere ao seu distanciamento com setores dentro da política (tomo por base depoimento de vereadores aliados seus) e, especialmente, na sociedade organizada.

Precisará descer do Altar. Como dizem os meninos do ‘Pânico’, as sandálias da humildade não fazem mal a ninguém.

A estratégia de Maranhão

A realidade de agora exposta sobre o tabuleiro político paraibano explica o manuseio das ‘pedras’ pelo governador Maranhão de se manter com alguns postos em aberto visando exatamente atrair mais aliados – partidos e lideranças – para perto de si. Somente mantendo algum saldo poderá ter possibilidade de êxito na atração de novos apoios.

Um caso particular de efeito imediato diante dessa tática tem a ver com a banda do PT, que aderiu abertamente ao projeto de reeleição do governador, hoje, toda animada pela força e efeitos do poder. Certamente que nada disso aconteceria se Maranhão não estivesse cacifado no exercício da gestão.

No paralelo, ele age ainda com a preponderância da máquina administrativa, sobretudo em tempo de retração financeira. Dentro desse prisma, o governador aposta outras fichas nos efeitos dos projetos que anda anunciando nas diversas áreas da administração na capital e no interior do estado, a exemplo da saúde, segurança e infraestrutura, etc.

É com esses investimentos nas diversas regiões que espera manter a fama de trabalhador e, na sequência, buscar viabilizar sua reeleição.

A esquerda, Dilma e o grande debate

Para completar, vamos precisar admitir que a cena nacional, ou seja, a disputa presidencial vai interferir nesse contexto. Se a base aliada de Lula se mantém com o PMDB apoiando o PT é uma coisa, do contrário comportaria outra conjuntura, da mesma forma que se o PSB lançar candidato a presidente (no caso Ciro Gomes), também mexeria com a conjuntura local porque dependendo dessas arrumações o PT paraibano precisará se posicionar combinado com o nacional, independentemente das vontades regionais.

São conjecturas ainda distantes, mas necessárias para serem entendidas já agora.

Última

“São dois pra lá/
dois pra cá…”

Mais Posts

Tem certeza de que deseja desbloquear esta publicação?
Desbloquear esquerda : 0
Tem certeza de que deseja cancelar a assinatura?
Controle sua privacidade
Nosso site utiliza cookies para melhorar a navegação. Política de PrivacidadeTermos de Uso
Acessar o conteúdo