O exemplo de Pernambuco

O sábado de carnaval no Brasil oferta para quem ousa cair na folia um cardápio variado de extremas opções qualitativas em muitas partes do Pais, mas, indubitavelmente, as grandes festas acontecem mesmo em Recife, Salvador e Rio de Janeiro. São Paulo se inseriu ultimamente mas, muito mais com o Sambódromo – réplica do que veio a partir do samba carioca.

Cada um tem sua característica ou glamour. O Rio pela apoteose do espetáculo, Salvador com sua magia advinda do mundo afro apimentado pela força dos artistas e Recife expondo sua peculiaridade de produzir o mais aberto dos carnavais do País com uma natureza de supervalorização da auto estima, que chega a impressionar.

O Galo da Madruga é a grande expressão do que digo. É, a rigor, o motivador da reprodução de carnavais paralelos, como a Folia de Rua e o Pinto da Madrugada, em Maceió. Quem acompanhou ou viu pela Rede Globo a maior e mais animada festa popular de carnaval do mundo pode dimensionar bem o significado de criatividade nas fantasias sem registro aparente de incidentes policiais, mesmo com a multidão diante dos olhos.

Pernambuco traduz no carnaval a sua legitima condição de Nação motivada pela consciência dos pernambucanos de que, apesar das diferenças, chega uma hora em que, ou todos se unem em favor do mesmo objetivo – o carnaval é um deles – ou o conjunto da sociedade estaria diminuída nas conquistas gerais.

É o que, por exemplo, não acontece na Paraíba onde a cultura de divisionismo impera diante da necessidade que temos de superar esse atraso de consciência porque nossas lideranças insistem em não colaborar com uma nova forma de relacionamento.

Para compreensão do que digo basta citar o Folia de Rua, nascido como forma de agregar a retomada de nosso carnaval, mas dividido anos atrás quando o Muriçocas do Miramar resolveu sair do Projeto por divergir de eleição democrática e legitima, além do aspecto da gestão de recursos próprios – esta a base central para até hoje o maior bloco se manter fora do Folia.

Na política – ah na política partidária, nem se fala!

Não sei quando, mas espero estar vivo para testemunhar muita luta na Paraíba, mas em favor dela e não de interesses particulares sobrepondo-se o coletivo.

É o mínimo que merecemos.

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