Toda vez que retorno a João Pessoa de qualquer lugar por onde ando, convivo sistematicamente com vários sentimentos; muitos deles de contentamento pela qualidade em torno de nossa ambiência, mas em alguns deles com ares de desconforto.
É como se, sem a morte estampada na cara do Oriente Médio, fossemos o desejo preferido e incessante de parte de nossa elite sempre querendo transformar-nos numa Faixa de Gaza permanente.
E isso também entristece porque os princípios da luta que se trava são mesquinhos e atrasados na perspectiva do que quer ou pensa muita gente deste estado.
É como se puxassemos enquanto âncora pesada para baixo querendo impedir que possamos avançar além-mar, sair do tempo amordaçador. Trocando em miúdos este é o retrato 3 X 4 da conjuntura político partidária da Paraíba movida também de outros interesses econômicos e de vida mesmo para os que optaram em apostar as fichas no ódio visando ter dividendos famintos exclusivos.
E os terá? E os tendo, vai ter estômago para sozinho viver entupido diante dos olhos da ética ? E diante de novos caminhos em curso?
Justiça seja feita, esta cultura divisionista não se restringe à política. Na maioria dos outros segmentos é assim. Aliás, nesse contexto, façamos ainda sub-divisões para entender as coisas, porque a forma dos pessoenses tratarem de seus vírus é diferente, por exemplo, dos campinococus ultimamente vivendo da luta do abelho-rei.
Vamos ao futebol, dentro de uma concepção cultural, apenas: enquanto Treze e Campinense têm em suas partes internas os dirigentes e torcedores brigando para saber quem mais faz pelos times, na proporção inversa do Botafogo, maior time da Capital, a maioria dos cartolas age exatamente para derrotar o próprio time, os aliados/inimigos, sobretudo para os que tentam soerguer o clube.
Vai se danar, olho ruim! diria qualquer sujeito de bom senso.
Pois bem, enquanto a Paraíba convive com essa onda repetida de gente se auto flagelando, lamentavelmente parte não consegue mais se livrar do entendimento maluco de que, para sobreviver, se faz necessário passar todo o tempo em crise política.
Alias, só há essa conjuntura porque muitos na Paraíba só sobrevivem diante da prevalência da guerra cega, mesmo que fulmine grandes projetos da Paraíba há tempo, com a conivência da maioria sem querer se manifestar no caso.
Mas, um dia isso vai mudar.
