STF autoriza inquérito da PF para investigar repasses ao filme sobre Jair Bolsonaro

Flávio Bolsonaro
Foto: Sérgio Lima/Poder360

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, autorizou a Polícia Federal (PF) a instaurar um inquérito para investigar os repasses financeiros destinados ao filme Dark Horse, produção audiovisual que retrata a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A decisão atende a manifestação favorável da Procuradoria-Geral da República (PGR), que considerou haver elementos suficientes para a abertura da investigação.

O inquérito vai apurar a transferência de recursos realizada pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, a pedido do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), para financiar a produção cinematográfica. A investigação busca esclarecer a origem, o destino e a finalidade dos valores enviados.

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Pedido partiu da Polícia Federal

A abertura do inquérito teve origem em um pedido formulado pela própria Polícia Federal ao STF. Após receber a solicitação, o ministro André Mendonça requisitou manifestação da Procuradoria-Geral da República. Em parecer, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, concluiu que existem indícios suficientes para justificar a instauração da investigação e apurar as circunstâncias das transações financeiras.

Paralelamente, o deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) também apresentou representação ao Supremo pedindo a apuração do caso. No entanto, a PGR defendeu o arquivamento desse pedido específico, concentrando a investigação no requerimento apresentado pela Polícia Federal.

A representação do parlamentar ocorreu após reportagem do The Intercept Brasil divulgar um áudio em que Flávio Bolsonaro solicita recursos a Daniel Vorcaro para custear a produção do filme.

PF investiga destino dos recursos

O foco da investigação está no envio de recursos ao exterior por meio da empresa Entre Investimentos e Participações, apontada pela PF como ligada a Daniel Vorcaro. Segundo as investigações, os valores teriam sido destinados a um fundo sediado no estado do Texas, nos Estados Unidos, controlado por aliados do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP).

A principal linha de investigação considera a possibilidade de que o financiamento do longa-metragem tenha sido utilizado para ocultar a real finalidade dos recursos. A Polícia Federal apura se parte ou a totalidade dos valores foi destinada ao custeio de despesas pessoais de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos, onde reside desde fevereiro de 2025, além de eventuais ações e articulações políticas promovidas por aliados do ex-presidente junto ao governo norte-americano.

Flávio Bolsonaro nega irregularidades

Em entrevista concedida à GloboNews em junho, o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, afirmou que a investigação busca esclarecer todas as circunstâncias envolvendo as movimentações financeiras internacionais.
“Há necessidade de instaurar um inquérito para apurar todas essas circunstâncias que permeiam esses episódios”, declarou.
Após a divulgação do caso pelo The Intercept Brasil, a assessoria de Flávio Bolsonaro divulgou nota negando qualquer irregularidade.

Segundo o senador, “é falsa a insinuação de que recursos tenham sido destinados a Eduardo Bolsonaro”. Flávio também afirmou que os aportes foram direcionados exclusivamente a um fundo responsável pela produção do filme, com estrutura jurídica própria e fiscalização nos Estados Unidos.

Com a autorização do STF, a Polícia Federal dará prosseguimento às investigações para rastrear o fluxo financeiro internacional, verificar a destinação dos recursos e apurar se houve eventual utilização de estrutura no exterior para ocultação ou envio irregular de valores.

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