Onde Ricardo peca

Há em curso, no seio máter político do prefeito Ricardo Coutinho, um cisma / lamento, mais do que isso, uma queixa surda e contínua a incomodar na relação de muitos deles com o chefe , a partir de casos – situações geradas pela forma de tratamento dele para com as pessoas.

Antes que a Oposição festeje a crítica, diga-se de passagem, que mesmo com inconformações, os/as auxiliares queixosos têm em Ricardo a condição de líder até quando ele assim achar importante sê-lo.

O fato é que o desabafo da secretária Roseana Meira eivado de legitimidade e força democrática, também recheado de valor próprio oriundo de uma mulher militante de qualidade, nem assim conseguiu superar a desconfiança de que fora RC quem mandou dar o recado aos que não votaram em Lula no primeiro turno.

Volto ao assunto porque já passaram de 15 as pessoas que, em faixas de importância diferentes do Governo, transformaram o ombro do Colunista em muro de lamentos – para desabafar sobre como, em alguns momentos, é difícil dialogar e entender Ricardo.

Gestor público com demonstração permanente de capacidade e lisura plena, tanto nesse caso pontual de censura de Roseane como em inúmeros outros, impressiona como Ricardo Coutinho conduz uma contradição de trato porque, diferentemente do democrata forjado na luta, no exercício do poder tem sido intolerante e com ouvidos tapados – o que é muito ruim, sobretudo para ele.

Na política, como de sorte na vida, ouvir ainda é um grande remédio. Está lá em Alan Kardek: ‘se queres falar com acertos, aprendes a ouvir no momento oportuno”. Nesse contexto, RC traduz o inverso, que gera nódoa a um perfil promissor no mundo vasto da democracia.

A impressão é de que ele desacostumou-se com sua exemplar carreira de ouvir tanto, de ter paciência tanta, que o fez chegar onde chegou. Mais ainda, outra impressão é de ter perdido a humildade, a capacidade de dizer – não sei. Dos mais letrados aos mais simples, volta e meia essa (im)postura lhe provoca perdas em tamanho que só o tempo dirá.

Líder inconteste, mesmo assim, ou ele revê tais questões ou pode virar um grande imperador sozinho, lá do olimpo distante dos comuns. E isso não é o melhor dos exemplos.
Se há tempo, a ele compete calçar as sandálias simples da humildade, até porque ele merece ser o que sempre foi: democrata.

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