A reação de Cícero

De todas as manifestações produzidas neste domingo, em face de noticia veiculada na Imprensa acusando o senador Ney Suassuna de se envolver em esquema de corrupção, a do ex-prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena, foi a que mais traduziu interesse extraordinário.

Por uma razão simples: é ele o nome que o Grupo Cunha Lima prepara no sentido de disputar o Senado Federal em 2006, exatamente contra Ney, líder do PMDB.

Ora, se ele é quem tenta emergir do “caos” na imagem produzido pela Operação da Confraria, acusado de comandar esquema de corrupção na prefeitura, ver seu principal adversário envolvido em situação ruim, de imediato tal natureza lhe gera construção de voltar à baila na disputa.

Cícero revelou neste domingo, em entrevista exclusiva ao WSCOM Online, que não vai pré-julgar, mas exige que haja justiça plena no levantamento da denúncia contra Ney e, se ele tiver culpa, que seja punido. Aliás, cobrou a mesma cobertura da Imprensa como se deu no seu caso.

O ex-prefeito fala ressabiado do que foi ter seu nome e imagem difundidos com pré-julgamento (condenação pública?), daí ele estar falando com cautela, embora intimamente ele e seu grupo queiram mesmo é ver a denúncia ter procedência para gerar condições do cicerismo ter chances de ressurgir com fôlego.

Mas, em que pese o querer de Cícero, ainda se faz indispensável aguardar o desdobramento e a reação do senador, que jura de pés juntos não ter nada a ver com o denunciado, portanto, considera a matéria como componente requentado tendo influência política.

No argumento de defesa, a fase complementar de Ney de que há interesse político parece muito, guardadas as proporções, o que reverberou com Cícero na Confraria.

Aliás, Ney não pode ser também condenado sem ser lhe oferecido defesa plena, portanto, seu desempenho nesta semana será basilar para reforçar ou não sua condição de candidato à reeleição com desempenho mais forte até agora.

De sorte, volto a repetir, é que Cícero está voltando à baila gradativamente, entretanto, parte do processo ao qual é parte interessada depende da própria reação de Ney a partir deste caso, agora reposto pela mídia.

Não se faz recomendável ignorar o poder de fogo do senador pemedebista.

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