A noite cultural de anteontem, na Fundação Casa de José Américo, produziu aura positiva como o governador Cássio há tempo andava procurando construir junto aos formadores de opinião oriundos desse segmento. Reestruturação da Sinfônica, FIC e prêmios aos fazedores da arte paraibana com reconhecimento serviram de esteio para essa cumplicidade com direito a Glorinha e Sivuca nos aplausos. Nesta quinta-feira, num outro marco ( a reforma no Liceu Paraibano) o tempo lhe pareceu cúmplice.
Tanto na noite de vulto cultural ou na manhã de relevo educacional, a essência do discurso de Cássio acabou reproduzindo a mesma lógica do seu adversário, senador José Maranhão, que formata sua retórica em cima das obras.
Mesmo repetindo algumas vezes não querer rivalizar com ninguém no tamanho e quantidade de obras, em diversos momentos chegou a afirmar que tem feito em três anos mais do que Maranhão em oito.
Ora, se ele está mesmo decidido a manter uma lógica diferenciada não é a melhor tática estar repetindo as informações no campo obreiro apenasmente como diria Odorico Paraguaçu, porque essa lógica lembra seu adversário implicitamente e lhe coloca sem inovação no processo, se o tema é obras.
Não que a análise de agora se atenha a desvendar mentiras ou contra-senso, pois nem esse aspecto aqui se avalia, mas quando ele se fixa nessa temática exclusivamente acaba por favorecer ao conceito de estar repetindo a lógica maranhista.
Por um outro caminho, diferente mesmo, ele poderia focar a estratégia em índices determinantes, que mexem com a vida, por exemplo, na busca do Governo pela melhoria no IDH – Índice de Desenvolvimento Humano, bem da qualidade nos serviços básicos, das relações institucionais e humanas, além de fomentar o emprego e a renda e não só obras, especialmente de saneamento, mesmo esse como fator básico.
Tem mais: na noite da cultura,pela primeira vez ele referiu-se sutilmente à vaia afirmando que essa manifestação ou aplauso dependerá fortemente de seu trabalho, condição essa a qual não se afasta, portanto, considera que a verdade se sobressairá diante da mentira.
Da mesma forma, nesta quinta-feira, ele voltou a mencionar estar fazendo mais na educação do que o atual senador o fez quando do exercício do poder., ou seja, está no terreiro para o qual Maranhão lhe ver.
Por esse caminho, sem querer o governador engole a corda, como se diz no popular e deixa de dizer o que tem feito pela melhoria de vida das pessoas, essa a essência da política moderna.
