A versão 2005 do Fenart Festival Nacional de Arte , em plena execução na semana, se mantém reenergizando a inquietude indispensável em atividades artístico-culturais do tipo. Sem zoada, debates, contraditórios, alguma crise contida e gente jovem rebelde misturada à velha guarda transviada não estaríamos diante de um festival, e sim de um evento qualquer.
Volto ao tempo pelo prazer de tratar de temas da área e, mais do que isso, buscar contribuir minimamente com o juízo crítico do Estado na perspectiva de gerar valores positivos para a sociedade. Tal posicionamento, inclusive, está distante do espírito de campanha presente precocemente em tantos.
Justificativas à parte, percebo que o 11º Fenart tem encantado sob a lona maior advinda do tema Circo perpassando pelas diversas vertentes da cultura se mantendo com o olhar para identificar o que há de novo e velho no fazer artístico cultural do país, de sorte na Paraíba.
Sintetizo bem essa complexidade e abrangência tomando por base com o que se deu no sábado de música, por exemplo, com as presenças de Escurinho, Lobão e Totonho e os Cabra nos debates e palcos, sem esquecer o domingo de samba de raiz.
Na vastidão da música, sempre há espaço para todas as vertentes contemporâneas, portanto, é inesgotável saber de tanta gente boa capaz de estar presente no Festival. Entretanto, os convidados a participar agora têm contribuído fortemente para a visibilidade de uma massa crítica indispensável entre nós ratificando a importância do Fenart.
A irreverência musical de Lobão ornamentada com seu jeito também empreendedor capaz de tocar sua vida artística; o universo negro multicor de Escurinho reverberando a capacidade multiracial de um interprete de notório estilo rude urbano e belo, adicionado do liquidificador pós – moderno da música vanguardista de Totonho, sem dúvida forte expressão da nova (?) música nacional tudo isso, no todo, se traduz na força estética do Festival 2005.
Esse retrato 3 x 4 da música se estende à literatura, artes plásticas, crítica musical, etc., o que gera a compreensão de que há uma idéia e ações culturais absorvidas por uma massa expressiva de gente ávida por cultura.
Se é assim, a versão deste ano atende à expectativa, embora precisemos discutir outras formas de atrair mais as universidades e a comunidade acadêmica de uma forma geral.
