Rio de Janeiro – Deixar a Cidade Maravilhosa em pleno clássico dos desesperados ( refiro-me mais ao Flamengo do que ao Vasco) cercado de zona quente 40º de barra pesada em véspera de Referendo sobre a Comercialização de armas, só mesmo com uma chegada de leve à Feira do São Cristóvão poderia reverenciar a auto estima nordestina sem medo de uma bala perdida.
Todo mundo adora o Rio, mas de uns anos para cá passar pela Linha Vermelha, da parte mais na frente de São Cristóvão em diante, até ultrapassar a Favela da Maré, é exercício que inquieta porque as cenas já conhecidas de troca de balas não saem do quengo dos que têm juízo ao passar na área.
Faz tempo que esse cenário, comum da Cidade de Deus se confunde no imaginário brasileiro, dos nordestinos também, como a exigir explicações para o matar e morrer produzido por facções criminosas revezando-se em morros e setores da elite carioca consumindo drogas e as trocando por incertezas sociais.
O Referendo de hoje projetou um debate sem o aprofundamento que se esperava porque, qualquer seja o resultado deste domingo, nada mudará a essência da questão que passa pela crise aguda no aparato policial e ainda diante do fosso social entre pobres e ricos gerando a categoria de milhões de miseráveis.
Comungo com a tese dos que não vêem relação vinculada entre índole má com condição econômica, isto é, não é por ser pobre ou miserável que se terá como conseqüência pessoas marginais, bandidas, frutos da desigualdade social.
Mesmo assim drama social agravado por crises econômico-financeiras contribui para a existência de fatores a perturbar setores da sociedade sofrendo efeitos do mundo da marginalidade, entretanto, impingir a questão de fundo como característica da índole humana entre os problemas é mudar o foco e errar na conclusão.
Por opção e convicção humanista, portanto, estou decidido a ir à urna neste domingo votar no SIM, contra a comercialização de arma e munição.

