A eleição neste domingo pode gerar caminho novo ou repetido na história do Partido dos Trabalhadores com qualquer um dos dois disputantes do Diretório Estadual Charlinton Machado e Frei Anastácio, pela ordem alfabética a partir das relações internas e para fora na convivência com a sociedade.
O PT, machucado, jogado ao banco dos réus a partir das denúncias e esfrangalhamento das relações nefastas de bastidores, está dividido entre situação e oposição dado o clima de avaliação que se faz da gestão Adalberto Fulgêncio bafejado por ventos externos advindos dos grupos majoritários da cena política paraibana, leiam-se Cássio e Maranhão.
Embora seja uma disputa histórica, de perspectiva última na busca da reconstrução, até agora o PT paraibano não conseguiu gerar uma expectativa de distanciamento absoluto da cena e disputa entre Maranhão e Cássio, mesmo quando anuncia candidatura própria, embora esse seja o caminho mais indicado e único de resistência para dar saltos com pernas próprias.
É que, diante das duas candidaturas atuais, há sim influência de personagens ou circunstâncias afetando a balança interna do PT sobre qual futuro penderá, se pela candidatura própria ainda assim favorecendo Cássio ou se se alia abertamente ao senador José Maranhão.
Por mais, que Anastácio evidencie o discurso da reconstrução, nem assim ele consegue se afastar da dependência dos ventos externos, tanto que mudou de curso e relacionamento, pois antes cotejava Maranhão, mas hoje se alinha pró-Cássio para chegar à presidência, através de petistas de tendência pró-tucano.
Charlinho, como é chamado o candidato de Situação, tem posição aberta pela manutenção do apoio em 2006 vinculada diretamente ao cenário nacional, ou seja, para onde Lula for e a aliança se efetivar para se reproduzir no Estado. É uma cena danada, porque o PMDB deve lançar candidato a presidente e aí, indaga-se como fica com Maranhão?
Como se vê, é um jogo complexo, delicado, mas o PT precisa se mostrar mais claro sobre seu futuro, não brigando com todos e tudo, e sim contrapondo-se com projetos exeqüíveis de argumentos fáceis para sua efetivação, além de precisar saber re-encantar os filiados e eleitores, hoje nem tanto assim 100% algodão na relação com o partido.
É desse emaranhado, que o PT emerge das urnas neste domingo: já não mais puro e palmatória do mundo, agora mais realista, humanamente normal, mas precisando responder a muitas indagações, sobretudo sociais, que tanto pregou.
Agora, só o tempo dirá.
Conquista
O prédio onde funcionou a Reitoria da Universidade Federal da Paraíba, defronte ao Parque Solon de Lucena, hoje abrigando a Datraprev e o saldo do antigo Inamps, pode ser da Prefeitura de João Pessoa.
Pelo menos foi isso o tratado, nesta sexta-feira, em audiência do prefeito Ricardo Coutinho com o senador Ney Suassuna e representantes da Justiça Federal, em João Pessoa.
Ainda Vital I
Do advogado e tribuno, latentemente universal, Vital do Rego, recebo nova missiva espécie de tréplica resistente aos meus singelos olhos e palavras que se expuseram no affair de sua candidatura, concomitantemente, a de seu filho, também Vital.
Feito açoite, cada palavra dita por ele me joga ao leu, mesmo sem nunca ter sido voz ferina nem feito do corpo a parte chicoteada, como agora me sinto, resignado, mas consciente da palavra verdadeira, repetida, quantas vezes preciso.
Ainda Vital II
Leiamos, juntos, o que a verve de Vital do Rego insiste em montanhar:
Para o Jornalista WALTER SANTOS WSCOM,
C.Grande, em 06.10.05
Walter, empedernidamente injusto comigo,
Somente hoje, fora de pertinente atualidade, li sua recarga, desde passado dia 29
Dê-me, então, a palavra à guisa de tréplica que é reserva legal de defesa.
De logo, afirmo, a seu exemplo, que não pretendo polemizar até porque o tema proposto por você é de todo desconfortável, lancinante mesmo.
Nas duas investidas, a atribuição de reflexões e visão embaciadas, minhas.
Claro que não, contrariamente, esteja certo que DEUS tem feito em mim, límpido e virente, o pensamento e olhar.
Assim é que evoquei a desfavor de sua teimosia sincronizada e inteligência tão luminosa quanto mordaz, que os cromossomos ( do que sempre fala) transmitem caracteres hereditários e integram unidades de um novo ser; procedem toda vez e a sentenciosa obviedade. Donde que a divergência não é do Criador!
E, precedência, para a lei, a moral ou as ciências exatas, e o gregário vernáculo, é o que vem antes, acaciana a compreensão.
De efeito, é notório o critério de promoção por antiguidade e proverbial que esta é posto. Também não se ignora a figura do decano. A essas verdades, procura-se, egoisticamente, negar agora. Pois que seja.
Em suma e na hipótese telada, meu filho, com pouco mais da metade de eu tempo de vida, fez-se candidato a deputado federal em contraponto ao que sejo, forme em intrínsecas e históricas condições, desde 94. E, abaixo de DEUS, só as urnas como ocorreu outrora, me podem refutar esse mínimo direito.
Do Alto Branco passando no São José onde não pude continuar morando e a notórias razoes, no Zepa ou em Mangabeira, em Tambaú ou no fundamentalismo oriental, em quaisquer mundos ou desmundos, inverter valores, subverter a ordem natural, recusar as regras inatas ou espontâneas não é tarefa fácil a ninguém: sourdoués ou, simplesmente, perversos.
De resto eu assevero que o Mestresó não pregou, ou causou, o mal.
E arremato em paráfrase do poeta de sua invocação dizendo que a minha face é dado para beijar, mas como têm querido, podem continuar batendo.
Obrigado; até sempre
Ainda Vital III
Frente a palavras tão densas e profundas, quem sou eu modesto cidadão distante de Diógenes, que procurava com luz os homens de bem para rebater argumentos tão rasantes quanto sem resposta ao entendimento popular próximo da incompreensão de ver pai e filho em seara de luta e separação.
Nem me atrevo – posto que do Alto Branco vejo apenas o que restou na minha alma torrelandense para buscar reproduzir a sabedoria vitaldoreguia na identificação sobre quem nasceu primeiro, se o ovo ou galinha.
O que sei, de alma rasgada de dor incompreendida, é que nem eu nem ninguém da minha aldeia consegue entender tanta vaidade promovendo racha e punhais de separação sangrando entre entes sábios decodificados, ora de criador ou de criatura.
Se é assim, Vital do Rego tem razão: basta de contestação!
Deixa o tempo seguir e num rasgo de luz um dia, quem sabe, possa fazer ver quem hoje se confunde. Eu, longe da solidão exposta pelos 100 anos de Garcia Marquez, ainda torço para que seja em época suficiente de se entender fundo o valor da humildade.
Última
Onde houver tristeza/ que eu leve alegria…
