Festejos, tradição e miopia

Se reparar direito, 2005 foi ano tinindo e bom para a manutenção das tradições do São João no Estado em elevado nível de organização. Ouvi do multimídia Fernando Moura algo do tipo – ‘fizemos na Paraíba a melhor versão em qualidade e quantidade do São João, se comparado com outros estados do Nordeste’. Faz sentido a leitura de Moura.

Aliás, perambulando despretensiosamente em alguns desses ‘arraiais’deu para perceber que as organizações capricharam em gerar algum conceito em cada uma das festas e até mesmo tipificar de um jeito ou de outro no quesito diferencial.

Explico melhor: em 2005 foram várias as cidades – Santa Luzia, Bananeiras, Monteiro, Taperoá, etc-, que insistiram em dizer aos “quatro cantos” que adotaram o forró “pé-de-serra”, de batida e estilo mais genuíno, ligado ao passado, enquanto outras – Solânea, é um desses tipos – assumiu inteiramente seu lado pró forró da atualidade, que os críticos chamam “forró de plástico”.

Quem sabe qualquer dia desses ( esperamos atentamente) algum crítico da aldeia nordestina haverá de mergulhar fundo na análise antropológica, sociológica, do que significa a mutação de estilos em cima de uma ou outra vertente musical

Acho instigante essa realidade de radicalidade exuberante entre quem defende ardorosamente cada uma dos estilos porque, sem se apercebam, há espaços para as duas escolas, independentemente do nariz torcido que os intelectuais e pessoas de gerações passadas fazem em relação às bandas, hoje dominando o mercado e o juízo das novas gerações.

Ora, em tempo de acuidade, de zelo pelos valores da sociedade, se faz importante manter viva a música produzida por gente do talento de Sivuca, Dominguinhos, Biliu de Campina, Pinto do Acordeon e tantos, tantos outros artistas de primeira qualidade, entretanto, mesmo assim, não adianta brigar com o gosto popular induzido ou não pelas emissoras de rádio.

Já cantamos “ala la ô – ô ô ô ô” – e nunca achamos essa mediocridade de refrão um atentado aos rigorosos ouvidos de nossa inteligentzia.

Trocando em miúdos, a preservação dos espaços dos artistas de estilo e estética mais de raiz, entretanto, é uma briga inglória ignorar as novas tendências e, sobretudo, quando a massa anda gritando aos berros que gosta do novo forró com ou sem calcinha preta, limão com mel, mastruz com leite, sirano e sirino – grupos que levam multidões ao delírio – para uns da insensatez, para outros de encantamento tal qual fizemos com o Beatles e Roling Stones.

Ainda voltaremos ao assunto.

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