A presença física do governador Cássio Cunha Lima no programa Correio Debate, na 98 FM, nesta segunda-feira, concedendo a primeira entrevista ao Sistema Correio de Comunicação durante seu Governo, por livre e espontânea vontade, não pode ficar restrita ao conceito simplório de mais uma conversa com jornalistas e ouvintes porque, na essência, configurou-se como o fato mais expressivo do ponto-de-vista emblemático de seu Governo.
Estar no Sistema Correio de Comunicação, o principal algoz de todos os 2 anos e poucos meses de adminsitração, representa recuo por parte do Governo, mas avanço sistemático e conseqüente quando tira dos ombros enorme fardo político e gera possibilidade de dividir num segmento especial com seu maior adversário, o senador José Maranhão, espaços que eram exclusivos do ex-governador por conta da crise.
A opinião pública não sabia, mas agora vai saber, que há algum tempo figuras amigas de Cássio e Roberto Cavalcanti promoveram inúmeras gestões para a consolidação de um acordo, que serve para muita coisa, inclusive irritar o grupo da Rede Paraíba de Televisão ( arquiinimigo de Roberto) e principal suporte de mídia de Cássio durante a campanha e os 2,4 meses de governo.
Mas, em que pesem as outras reações em contrário , do tipo a revolta expressa pelo comunicador Geovane Meireles ao saber da presença de Cássio no Sistema Correio, o fato real é que o governador agiu pragmaticamente ( sob ótica de resultados ) de forma correta quando consolida um acordo de vida e convivência jamais admitida há 2 anos atrás, quando a empresa sofreu pesada perseguição de várias formas.
Só que, figuras como Enivaldo e Aguinaldo Ribeiro ( mentores de encontro existente inicialmente de Ronaldo Cunha Lima com Roberto Cavalcanti ), bem como de Sólon Benevides este último pragmaticamente impecável forçou a barra não aceita por setores internos do Grupo Cunha Lima na mesma linha de Gilvan Freire, promovendo uma série de reuniões culminando com uma decisiva, um mês atrás, na Granja Santana com todos os envolvidos presentes.
Ninguém fala, ninguém se dispõe a assumir, mas o fato é que o acordo passou pela manutenção editorial dos Colunistas Hélder Moura, Rubens Nóbrega e o programa Correio Debateflexibilizando espaços mais freqüentes do Governo nos veículos do sistema, especialmente o Jornal.
Com isso, o governo assumia o acordo de tirar de pauta a CPI do Correio, que, a rigor, pareceu mais pura perseguição política, e o sistema passaria a entrar na quota de mídia com anúncio freqüentes no jornal, rádio e TV de forma empresarialmente a reestabelecer a convivência entre eles. Há, sem confirmação, que a empresa passaria a ter um desembolso mensal de R$ 200 mil de propaganda efetivamente veiculada.
Nesta segunda-feira, Cássio fez história e pavimentou pro futuro momentos menos turbulentos como enfrentava, transferindo para seu adversário o mau humor por estar agora convivendo mesmo, e pra valer, em espaço nobre impedindo assim a soberania do senador Maranhão o que deve gerar de irritação, no mínimo.
O desfecho mostra, mais uma vez, que é tolice de Governo querer acabar com veículo de comunicação e, ao mesmo tempo, aniquila os mais exaltados aliados do governo que exorbitaram no questionamento e agora se vêem perdidos diante do novo cenário.
De sorte que Cássio dá novo salto político construindo estrategicamente a superação das maiores dificuldades dele com o eleitorado, através da mídia, em especial quando o assunto é Sistema Correio, que sai fortalecido do processo gerando uma cachoeira de queixas da Rede Paraíba de Televisão, mas, não mais do que o governador Cássio.
Aliás, por dever de justiça, o governador precisa contemplar em nível adequado o contencioso e a importância do que recebeu da estrutura qualificada em torno de seu projeto para evitar o famoso cobrir um santo deixando o outro descoberto.
Vem mais novidade por aí.

