Sebrae/PB: retrato e futuro

Os últimos dados chegados à Imprensa atestam que a briga partidária se instalou com força no processo de escolha da diretoria do Sebrae na Paraíba, como nunca acontecera. As principais lideranças políticas não se cansam de marcar posição do tipo – “ou é isso ou vamos às últimas consequências” – dando demonstrações claras de que não estão consoantes com o “espírito” ou missão do Sebrae.

Desta feita, até o Governo Federal resolveu meter “a seu dedo no angu”. Em tese, pode parecer procedimento oportuno, mas não é, mesmo com essa instância de poder dispondo de representantes (bancos e a Sudene), porque a essência do Sebrae está na formatação de estratégias voltadas para o mercado e, ultimamente, com políticas de desenvolvimento regional.

São as contribuições da iniciativa privada, do empresariado objetivamente, que permitem o recolhimento e aplicação de recursos em projetos continuados, gerados no conhecimento de especialistas do Sebrae, que sirvam para alavancar e manter os micro e pequenos negócios – responsáveis pela maior fatia de nossa economia brasileira.

É neste filão da economia nacional onde reside a possibilidade real (única, inclusive) de se gerar emprego e renda até porque os Governos não têm essa função que prometem nas campanhas.

Portanto, esta é a natureza principal do Sebrae, onde as presenças dos bancos e da Sudene são indispensáveis mas, do ponto-de-vista operacional, pouco acrescentam com ações concretas na ponta (quando muito convênios), muito menos com recursos – estes oriundos do “Caixa” do Sistema produzido pelos empresários e nos Estados, vez em quando com as contra-partidas dos Governos locais – estes, sim, responsáveis por investimentos mais aproximados da sociedade junto às prefeituras.

É claro que todos “estão carecas” de saber deste cenário e realidade estrutural do Sebrae/PB, portanto, a presença do Governo Federal interferindo nos destinos do processo eleitoral só se justifica pela colaboração tácita de buscar construir unidade, onde até nele inexiste, mas operacionalmente não tem poder maior do que a relação do empresariado e Governo estadual, estes sim, motores das políticas públicas do Sebrae.

Por isso, quando vejo ou escuto dizer que os senadores José Maranhão e Ney Suassuna – pela importância que têm – estão indo forte na interferência do processo, fico imaginando por quanto tempo essa anomalia estratégica se manterá porque, como sempre aconteceu na história do Sebrae, é da harmonia entre as Federações (5 ao todo) mais o Governo do Estado que se construía a diretoria do órgão. Os bancos e o Sebrae Nacional serviam de reforço indispensável.

O senador Maranhão, por exemplo, sabe melhor do que ninguém desse encaminhamento porque, como governador, indicou sem problemas a diretoria do Sebrae/PB, mesmo quando Ronaldo Cunha Lima era senador e já aí disputava espaços públicos e nas administrações com ele. Será assim se ele voltar em 2006 ou Cássio reeleger-se.

Em síntese, se as Federações estão sem consenso, pois 4 de delas seguem uma linha ou preferência, enquanto uma outra tem posição diferente, que elas busquem gerar condições de harmonizar os posicionamentos porque, como acontece nos parlamentos e assembléia, quando se chega ao impasse encaminha-se o processo pela maioria – condição essa que gera o sentido majoritário a prevalecer com respeito de quem não é majoritário.

Trocando em miúdos, a eleição do Sebrae precisa voltar ao eixo central de sempre, até por ser ainda uma das poucas instituições não-magnetizadas pelas paixões partidárias tão fortes que nos fazem sentirmos em 1930.

Precisamos de novo estágio, de avançar mesmo na construção de políticas de trato da economia soberanamente, lado a lado com o setor produtivo porque da parte político-pública só resta encampar e incentivar as empresas – principais responsáveis pela existência do Sebrae/PB.

Não acredito que Lula venha a ficar na história por promover o avesso do avesso do avesso no universo micro empresarial.

Composição, sim

A análise acima não estraga a permissibilidade de que o Governo Federal possa ter um integrante na composição da diretoria, da mesma forma que o empresariado e o Governo Estadual.

Em princípio seria sempre essa tendência a chegar mais próximo do famoso ideal, com negociação plena entre as partes.

Do contrário, é bater chapa – democraticamente.

Adeus a Celso

O governador Cássio Cunha Lima viajou às pressas, na madrugada, para o Rio de Janeiro onde participou do velório e sepultamento do economista Celso Furtado.
Ele viajou com o Secretário de Comunicação, Solon Benevides.

Cássio considerou em entrevistas que Celso ao lado de Epitácio Pessoa são os paraibanos de maior dimensão com reconhecimento internacional.

Nome do PT

Para anotar: cinco nomes do Partido dos Trabalhadores da Paraíba estão sendo apontados no processo de escolha interno para representar o Governo Federal na futura equipe.

São nomes conhecidos, garante Alta Fonte, portanto, nos próximos dias serão conhecidos a partir de Brasília – quem vai dar o “ok” definitivo.

Silêncio sepulcral

O prefeito eleito Ricardo Coutinho continua mantendo o silêncio de sempre na revelação dos nomes que chamará para a futura equipe de Governo.

Na verdade ele tem conversado com poucas pessoas. Outro dia até revelou algumas intenções para acabou recuando porque na Prefeitura, diferentemente de uma ONG, não há espaço para experimentos.

Veneziano, diferente

No caso do prefeito eleito de Campina, Veneziano Vital, o quadro é diferente porque ele admite conversar com as lideranças principais do partido.

É isto o que tem acontecido nas relações com Maranhão e Ney – consultados que são para diversos encaminhamentos.

Umas & Outras

… O ex-deputado estadual Gervásio Maia está em alta cotação.

… A última vez que Celso Furtado veio à Paraíba foi para participar de homenagem aos seus 80 anos, durante seminário no Sebrae/PB, organizado por Ronald Queiroz quando Arlindo Almeida era superintendente.

…O professor Doutor Sales Gaudêncio chegou às 5 da manhã, ontem, depois de atraso em vôo via Salvador para participar das exéquias na Academia de Letras.

…O Íbis da Torre pode voltar ao bairro de origem. O eterno presidente José Dimas de Medeiros, hoje residindo em Mangabeira, admitiu a idéia e trabalha essa condição com apoio do vereador eleito Marconi Paiva.

…Dida Fialho está com novo CD na praça, nos ouvidos e coração interferindo melodicamente na sensibilidade auditiva de quem aprecia música de qualidade.
305.

Última

“Quentar o frio/ requentar o pão/ e comer com você…”

Mais Posts

Tem certeza de que deseja desbloquear esta publicação?
Desbloquear esquerda : 0
Tem certeza de que deseja cancelar a assinatura?
Controle sua privacidade
Nosso site utiliza cookies para melhorar a navegação. Política de PrivacidadeTermos de Uso
Acessar o conteúdo