Efeitos de Lula na Paraíba

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva chega, hoje, em Campina Grande, para cumprimento de uma agenda protocolar normal com direito a entrega de melhorias do Aeroporto João Suassuna, de cisternas especiais em Lagoa Seca e sobrevôo à área afetada pela estiagem, embora seja nos bastidores onde resida o moído maior.

Tudo porque, de ontem para cá, novos atores foram anunciados no contexto da visita presidencial, a exemplo dos senadores Ney Suassuna e José Maranhão, além do deputado federal Luiz Couto, na condição de membros da comitiva do presidente Lula.

Poderia não significar novidade, visto que se tratam de parlamentares da base de Governo, mas a natureza da relação particular especialmente a que envolve o senador Maranhão e o governador Cássio suscita a expectativa de se saber como vão se tratar nos momentos de olho no olho.

A rigor, com ou sem acato geral, a agenda é uma deferência do presidente ao governador, autor do convite, e à prefeita de Campina Grande, Cozete Barbosa – companheira de lutas petistas, faz tempo, diante de um elenco de solenidades / compromissos já conhecidos.

Em síntese, mesmo que o PT ( leia-se Luiz Couto ) se veja inteiramente à vontade para ciceronear seu maior dos líderes e atual presidente, bem como os senadores pemedebistas arvorem legitimidade e convite – como aliados – para compor a comitiva presidencial, nada interfere, na prática, na opção pessoal de Lula ou na empatia que manifesta particularmente a Cássio.

Pondo tantos aspectos num só, o que quero dizer é que a experiência de se estar num somatório de forças ou de exposição pública como a de hoje, bem que poderia servir para ser aplicado como esforço comum em diversas outras oportunidades e circunstâncias.

Não só no caso da implantação do Instituto do Semi-árido, mas na exploração de petróleo em Sousa, na ampliação dos projetos hídricos – a exemplo da transposição de água do São Francisco, na expansão do porto de Cabedelo, dos investimentos no turismo ou até mesmo, nestes últimos dias até a próxima semana, quando se trata de definir no Congresso Nacional o orçamento da Paraíba em 2004.

Como isso não acontecerá porque a cultura de tentar impedir o que o outro faça – ou possa fazê-lo -, parece perdurar muito além dos embates políticos indispensáveis, mas em seu devido tempo e lugar.

A presença de Lula, pela primeira vez na Paraíba depois de eleito, reproduz o comportamento de um líder acima das picuinhas políticas, porque Cássio é PSDB, e opera da forma possível – tal qual a habilidade de Lula conviver entre pólos contrários – a existência de um palanque eclético até demais, impossível – ou quase isso – de se imaginar noutros momentos.

Nada, entretanto, tira de Lula seu tom e história PT, nem o zelo pelos acordos.

Efraim, o calo

Na relação do presidente Lula com Cássio, só um componente lhe tira do sério: a performance do senador Efraim Morais, da Paraíba, mas um dos mais duros críticos do governo do PT.

Ontem, Efraim `baixou a lenha´, como diz o filólogo Ivan Thomaz, em debate com Aloizio Mercadante e Tião Viana, no Senado.

Até agora não tem ganho a parada, porque o governo tem maioria, mas o desconforto já foi manifestado ao deputado Luiz Couto.

À disposição

O mal-estar tomou conta dos 1.200 funcionários do Governo do Estado, hoje à disposição de diversos Poderes e segmentos. Ontem, o líder do PSDB, Artur Cunha Lima – provável futuro presidente do Treze – disse que o Governo vai chamar todos de volta.

Quem se salvar só acontecerá se o Poder/destino assumir o ônus de pagar os vencimentos.

Pressão forte

No particular perdura o mesmo diapasão. Ali ou acolá, um ou outro vereador, se arvora a querer falar das lideranças às quais seguem, tentam até promover movimentos, mas na primeira pressão de cima pra baixo tudo acaba na estaca zero.

Ontem deu para ver isso sem dificuldades na Câmara de João Pessoa. Foi um verdadeiro festival de desmentidos e disse-me-disse.

O fato

Os vereadores queixosos precisam se resolver de vez. Quando resolverem falar, que assumam. Outro dia o vereador Pedro do Caminhão soltava a falação na direção do governador Cássio. Tempos depois desmentiu que teria feito críticas, só que um assessor da Chefe do Cerimonial do Governo assistia a tudo, à cores e ao vivo.

Noutro ambiente, o mesmo ouvia-se do vereador Aníbal Marcolino.

Umas & Outras

… O presidente do PMDB na Capital, Gervásio Maia, não pára de conversar com o pessoal do PSB.

… O deputado/secretário Ruy Carneiro tem operado feito um `trator´ para tirar do caminho obstáculos dentro da própria base.

… O presidente da Funesc, Temi Cabral, garantiu ontem que, apesar das restrições orçamentárias, o Fenart acontecerá a partir de 1º de novembro com vasta programação.

… Por telefone, o presidente da Academia Paraibana de Letras, Joacil de Brito Pereira, lembra que todos os 39 acadêmicos já receberam as cédulas para o voto na eleição do dia 11 quando será resolvida a vacância da cadeira de Tarcísio Burity.

… O coordenador do Seminário do Carnaval, Willis Leal, já aprontou seu parecera ser apresentado na sexta-feira.

… Ninguém deu muita bola, isto é, a atenção devida, mas anteontem os principais operadores culturais de 116 municipios esteve em discussão no Fórum que definirá a política do setor. Uma pena porque os temas tratados eram de primeira linha.

Última

` Hoje o homem criou asas/ e na maioria das casas / eu também não posso entrar…´

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