O Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP), por meio do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), protocolou as alegações finais no processo contra o empresário e influenciador digital Renato Cariani. O órgão requereu a condenação do réu pelos crimes de associação para o tráfico de drogas, tráfico de matéria-prima destinada à preparação de entorpecentes e lavagem de dinheiro.
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Caso a Justiça acolha integralmente a tese da acusação em sentença, as penas impostas ao empresário podem variar de 16 a 51 anos de reclusão em regime fechado, além do pagamento de multa. Cariani, que conta com mais de 11 milhões de seguidores nas redes sociais, responde ao processo em liberdade.
Além do influenciador, os promotores pediram a condenação de Fábio Spínola Mota, apontado como o elo entre a empresa de insumos e os compradores das substâncias ilícitas, e de Rodrigo Gomes Pereira, acusado de gerenciar a movimentação financeira e a dissimulação dos valores arrecadados. Por outro lado, o MP-SP solicitou a absolvição de Roseli Dorth, sócia da empresa Anidrol, e de Andréia Domingues Ferreira.
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As investigações da Polícia Federal, deflagradas na Operação Hinsberg em dezembro de 2023, apontam que a Anidrol Produtos para Laboratórios, sediada em Diadema, fraudou a venda de insumos químicos para simular transações comerciais legítimas. O material, composto por substâncias como éter etílico e cloridrato de lidocaína, era desviado para o refino de toneladas de cocaína e crack.
Segundo o Gaeco, foram identificadas 59 operações fraudulentas em que a empresa simulou vendas utilizando o nome da farmacêutica AstraZeneca, sem que o laboratório tivesse realizado os pedidos. As apurações tiveram início em 2019,quando a própria multinacional alertou o Ministério Público sobre a emissão indevida de notas fiscais em seu nome.
A acusação sustentou ainda que escutas e mensagens extraídas do telefone celular do empresário comprovam que ele tinha pleno conhecimento da destinação ilícita dos produtos. O órgão alegou que Cariani tentou subverter a fiscalização policial ao se aproximar de um agente público para obter informações privilegiadas sobre diligências e atuar em benefício do grupo.
O que diz a defesa
Em nota emitida pelo advogado Aldo Romani Netto, a defesa de Renato Cariani declarou que recebeu o pedido do Ministério Público com naturalidade, classificando a manifestação como previsível dentro do rito processual.
A defesa informou que apresentará as alegações finais defensivas no prazo legal, oportunidade em que rebaterá cada um dos pontos levantados pela promotoria e demonstrará a improcedência das acusações com base nas provas produzidas ao longo da instrução processual. A equipe jurídica do empresário reiterou a confiança em uma sentença absolutória por parte do Poder Judiciário.