Lula ataca Flávio Bolsonaro em Copacabana e volta a criticar defesa de policial acusado de matar menina

Durante caminhada em Copacabana, presidente chamou o senador de adversário de “mais baixo nível” e criticou sua atuação na defesa de policial acusado de matar Ana Clara, de cinco anos

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Crédito: Ricardo Stuckert

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez críticas ao senador Flávio Bolsonaro (PL) neste sábado (24), durante uma caminhada de campanha em Copacabana, na zona sul do Rio de Janeiro. Na véspera do segundo turno das eleições presidenciais, Lula classificou o adversário como o concorrente de “mais baixo nível” que já enfrentou e voltou a questionar sua postura no caso da morte da menina Ana Clara Gomes Machado, de cinco anos.

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As declarações ocorreram um dia após o último debate presidencial, realizado pela TV Globo na sexta-feira (23). Segundo a Folha de S.Paulo, Lula acusou Flávio de não ter compromisso com a verdade e comparou a disputa atual com campanhas anteriores contra Fernando Henrique Cardoso, José Serra, Geraldo Alckmin e Fernando Collor.

“Estamos chegando ao final de mais uma campanha. Uma campanha que, possivelmente, tenha sido a campanha feita por um adversário de mais baixo nível possível”, declarou o presidente a jornalistas antes de iniciar o percurso pela Avenida Atlântica.

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Em seguida, Lula afirmou que o senador não teria compromisso com a verdade. “E, dessa vez, eu tive que disputar a eleição com uma pessoa que não é uma pessoa, é uma mentira”, disse.

Lula volta a questionar defesa de policial acusado de matar criança

Um dos principais temas do discurso foi a atuação de Flávio Bolsonaro na defesa judicial do policial militar Bruno Dias Delaroli, acusado pelo Ministério Público de efetuar o disparo que matou Ana Clara Gomes Machado, em fevereiro de 2021, em Niterói, na região metropolitana do Rio de Janeiro.

A criança brincava em frente à própria residência quando foi atingida. O caso voltou ao centro do debate eleitoral na sexta-feira, quando a mãe da menina, Cristiane Gomes da Silva, acompanhou o confronto entre os candidatos a convite da equipe de Lula.

Durante o debate, Flávio afirmou confiar na inocência do policial e ressaltou que o acusado ainda não havia sido julgado.

Na caminhada deste sábado, Lula criticou a maneira como o senador abordou o episódio e mencionou um erro cometido por ele ao se referir à mãe da criança.

“Vocês viram o cinismo dele ao falar da morte da menina Ana Clara? Vocês viram a desfaçatez? Errou o nome da mãe. Essa gente não presta”, afirmou o presidente.

A acusação contra o policial foi apresentada pelo Ministério Público. A responsabilidade criminal pelo disparo, conforme o relato, ainda depende de decisão judicial.

Lula reage a comentário sobre deficiência física em debate

Outro momento de tensão entre os candidatos ocorreu no debate da TV Globo, quando Flávio utilizou a expressão “nove dedos” ao se referir a Lula.

O presidente perdeu um dedo da mão esquerda em 1964, aos 17 anos, em um acidente de trabalho. Após a referência feita pelo senador, Lula cobrou explicações, e Flávio pediu desculpas.

Na manifestação em Copacabana, Lula também voltou a chamar o adversário de “miliciano” e afirmou que uma eventual vitória do candidato do PL representaria riscos à democracia e às liberdades no país.

Presidente diz estar confiante na votação de domingo

Durante o ato, Lula demonstrou confiança na própria vitória no segundo turno, marcado para domingo (25).

“Eu estou dizendo para vocês, podem anotar: amanhã eu serei eleito presidente da República outra vez”, declarou.

O petista agradeceu aos militantes e eleitores que participaram das atividades de campanha e destacou a mobilização nas ruas durante a reta final da disputa.

“A nossa arma é a urna e a nossa bala é o 13”, afirmou, em referência ao número do Partido dos Trabalhadores.

A caminhada reuniu apoiadores na Avenida Atlântica, nas proximidades do Posto 5. Entre os participantes, havia bandeiras vermelhas e camisas da seleção brasileira. Moradores acompanharam a passagem do presidente das janelas dos edifícios da orla, enquanto outras pessoas subiram em carros e árvores para observar o ato.

Lula classificou a manifestação como, possivelmente, “a passeata política mais bonita da história de Copacabana” e voltou a destacar a participação das mulheres na eleição.

Pneu furado interrompe caminhada

O deslocamento do presidente foi interrompido por cerca de 15 minutos após um pneu do veículo em que ele estava furar. Lula precisou trocar de carro para continuar o percurso.

Enquanto aguardava, o presidente comentou o imprevisto e ironizou o adversário.

“Eu queria dizer para vocês que o pneu do nosso carro furou. Se fosse meu adversário, ele ia dizer que eu fui eu que furei”, brincou.

A primeira-dama, Rosângela da Silva, conhecida como Janja, orientou os participantes a permanecerem em seus lugares durante a troca do veículo.

Após a retomada da caminhada, Lula voltou a demonstrar entusiasmo com a mobilização e suas perspectivas eleitorais.

“Enquanto isso, gente, é muita música, muita alegria, porque eu estou com sabor de vitória na boca!”, declarou.

Calor provoca atendimentos durante ato

A manifestação ocorreu sob forte calor no Rio de Janeiro. Segundo o Sistema Alerta Rio, a temperatura máxima prevista para este sábado era de 34°C.

Durante a caminhada, alguns participantes passaram mal e precisaram de atendimento. A reportagem da Folha de S.Paulo presenciou uma mulher sendo transportada em uma maca por bombeiros. A música do trio elétrico também foi interrompida para que a organização solicitasse assistência a outra pessoa na multidão.

Ao longo do percurso, havia pontos de hidratação e vendedores ambulantes comercializando água.

O ato marcou o encerramento da campanha de Lula para o segundo turno. O presidente busca um quarto mandato à frente do Palácio do Planalto, em disputa com Flávio Bolsonaro.

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