Motorista suspeito de matar motociclista em João Pessoa nega manobra perigosa e diz que se distraiu

Ítalo Jansen de Melo Chaves se entregou à polícia, foi preso em flagrante e deve passar por audiência de custódia; investigação apura suspeita de homicídio com dolo eventual e possível consumo de álcool

Foto: Flávio Fernandes/TV Cabo Branco

O motorista suspeito de provocar o acidente que matou o motociclista Anderson França, de 35 anos, em João Pessoa, negou ter realizado a manobra conhecida como “cavalo de pau”. Por meio da defesa, Ítalo Jansen de Melo Chaves afirmou que se distraiu antes da colisão. Ele se apresentou à polícia na segunda-feira (12), foi preso em flagrante e deve passar por audiência de custódia nesta terça-feira (13).

O acidente aconteceu na madrugada de segunda-feira, no bairro do Cuiá. Imagens de câmeras de segurança registraram o momento em que uma caminhonete ocupa parte da faixa contrária ao fazer uma manobra para entrar em um posto de combustíveis. A moto conduzida por Anderson colide com o veículo. Outra gravação mostra o que seria a caminhonete realizando uma manobra perigosa.

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Em entrevista à TV Cabo Branco, o advogado Robério Capistrano afirmou que, segundo a versão do cliente, a colisão ocorreu após uma distração provocada pela interação com um amigo que estava no veículo.

“Não, ele disse que foi uma distração, que quando olhou, tinha um colega dele do lado que olhou, o amigo estava no celular e foi mostrar um negócio, ele olhou, foi quando puxou a direção e quando viu a moto ele tentou voltar. Pode ver que na imagem mostra que ele não avançou a pista toda, ele estava na metade do carro que quando viu puxou. Aí infelizmente aconteceu o acidente”, disse o advogado.

Polícia apura suspeita de consumo de álcool

A Polícia Civil autuou Ítalo em flagrante e investiga o caso como homicídio com dolo eventual, enquadramento aplicado quando há suspeita de que o autor assumiu o risco de causar a morte de outra pessoa.

Segundo o delegado Sylvio Rabello, testemunhas relataram que o motorista teria consumido bebida alcoólica antes do acidente. A polícia também identificou marcas de frenagem no local e reúne imagens e depoimentos para esclarecer as circunstâncias da colisão.

“Nós temos testemunhas de que ele estava ingerindo bebida alcoólica, tem frenagem no local, todas as equipes de várias unidades aqui da central de Polícia Civil estão nessa investigação, ele está sendo perseguido por vários endereços e aí diante da perseguição por parte da Polícia Civil ele resolveu correr para cá, foi quando foi lhe dado voz de prisão no momento da entrada dele aqui, ele está preso em flagrante, crime de homicídio por dolo eventual, crime de trânsito por dólar eventual”, disse o delegado.

A defesa negou que o motorista estivesse sob efeito de álcool. “Não, nada disso, inclusive quando eu falei com ele pela manhã também, nada disso mostrava o cheiro de bebida, nada disso. Nega, isso aí não tem não”, afirmou Robério Capistrano.

O delegado também informou que a polícia verifica registros anteriores envolvendo o suspeito, entre eles boletins de ocorrência e procedimentos relacionados a violência doméstica e acidentes de trânsito.

Motorista se apresentou à polícia

Ítalo foi levado à Cidade da Polícia, no bairro do Geisel, após o advogado procurar uma equipe da Polícia Militar que fazia rondas na região e solicitar que o cliente fosse conduzido à delegacia para se apresentar espontaneamente.

Depois da apresentação, o motorista recebeu voz de prisão em flagrante. A defesa afirmou que pretende usar a apresentação voluntária como argumento na audiência de custódia.

“Estou apresentando ele espontaneamente, ele vai ficar preso, vai para audiência de custódia e eu vou mostrar que ele se apresentou espontaneamente e não há nenhum perigo dele fugir ou ele tentar se eximir da sua responsabilidade”, declarou o advogado.

As imagens do acidente mostram o motorista da caminhonete deixando o local após a colisão, sem prestar socorro. Anderson morreu no local. Segundo familiares, ele seguia para o trabalho na Ceasa quando foi atingido.

Família cobra justiça pela morte de Anderson

A mãe do motociclista, Nelmar Dantas, pediu que o caso seja esclarecido e que o responsável seja levado à Justiça. Em entrevista à TV Cabo Branco, ela lamentou a morte do filho e destacou que espera uma resposta das autoridades.

“(Ele era) honesto, pegava nada de ninguém, era um menino de Deus, só Jesus para me dar força, eu não aguento. Eu quero Justiça, que ele se apresente, que a polícia pegue ele”, disse.

A tia da vítima, Rizoneide França, também cobrou responsabilização pela morte do sobrinho. Segundo ela, Anderson ajudava a cuidar dos avós.

“(Ele) cuidava dos avós, tudo que os avós precisava era ele. Ele vai ser mais um? Que país é esse, que Justiça é essa que acontece isso. Vai ficar por mais um?”, afirmou.

De acordo com relatos de testemunhas reunidos pela Polícia Civil, o motorista teria estado em um bar antes do acidente e realizado manobras perigosas pelas ruas do bairro. Essas informações seguem sob investigação.

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