Suspeita de se passar por médica e aplicar soro em mulheres recebe liberdade provisória em João Pessoa

Suspeita de se passar por médica

 Investigada por atuar como falsa médica e realizar procedimentos estéticos clandestinos, Isabela de Melo Dantas obteve liberdade provisória nesta sexta-feira (28) após audiência de custódia. Ela havia sido presa em flagrante pela Delegacia de Defraudações no dia anterior, enquanto atendia uma cliente no bairro do Bessa, em João Pessoa.

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A decisão da Justiça determinou como medida cautelar a suspensão de qualquer atividade econômica, financeira ou função pública por parte da investigada. O caso passou a ser apurado após denúncias prestadas por pelo menos seis pacientes que relataram complicações e irregularidades.

Conforme a Polícia Civil, a mulher é investigada pela prática de ao menos quatro crimes, incluindo exercício ilegal da medicina, estelionato e utilização irregular ou fraudulenta de medicamentos.

Negou se passar por médica

Em esclarecimentos prestados às autoridades e à imprensa local, a investigada negou ter se apresentado como médica, afirmando que atua profissionalmente como esteticista e que cursa graduação em Biomedicina.

A versão contrasta com os achados da investigação, que apontam que a suspeita utilizava registros em redes sociais intitulando-se doutora e se promovendo como especialista e referência em intervenções de harmonização corporal.

As apurações policiais indicam que as atividades ocorriam de forma itinerante em João Pessoa, Campina Grande, Natal, Recife e Fortaleza. A investigada alterava o local dos atendimentos com frequência para escapar da fiscalização e afastar reclamações das clientes atingidas.

Entre os relatos colhidos pelas autoridades estão denúncias de pacientes que receberam aplicações de ar, soro fisiológico e silicone industrial sob a promessa de preenchimento nos glúteos. Uma das vítimas precisou passar por intervenção cirúrgica de emergência após complicações decorrentes do uso do silicone de construção.

O acervo de depoimentos inclui relatos de pacientes que apresentaram reações adversas graves após as sessões, tais como dores intensas, hematomas, quadros inflamatórios, inchaços severos e desmaios.  Uma influenciadora digital que aceitou realizar o procedimento por meio de parceria para divulgação também procurou a polícia para registrar boletim de ocorrência, relando piora estética e fortes dores após a aplicação e o desconhecimento sobre a falta de habilitação médica da profissional.

Diante do caso, o Conselho Regional de Medicina da Paraíba reforçou que procedimentos estéticos de caráter invasivo exigem condução por médicos devidamente habilitados e em ambientes com alvará sanitário, orientando a população a checar a qualificação dos profissionais antes de realizar intervenções.

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