A Operação Arena, deflagrada hoje também na Paraíba contra a empresa Pixbet, investiga o grupo empresarial por suspeita de usar uma estrutura formada por empresas no Brasil e no exterior, instituições de pagamento, operações de câmbio e ativos digitais para ocultar a origem e a movimentação de recursos relacionados à exploração de apostas de quota fixa e jogos de azar. Segundo a investigação, a estrutura teria sido criada para dar aparência de que as atividades eram administradas fora do país, embora a gestão operacional e as decisões ocorressem, em tese, no Brasil.
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A operação foi deflagrada pela Receita Federal, em conjunto com a Polícia Federal e o Ministério Público Federal. Foram autorizados 17 mandados de busca e apreensão em 14 locais, nos estados da Paraíba, Sergipe, São Paulo, Rio de Janeiro e Paraná. A Justiça também autorizou a apreensão de bens e valores de até aproximadamente R$ 1 bilhão, montante relacionado às estimativas dos recursos supostamente envolvidos nos crimes investigados.
A Receita Federal participa da ação com 40 auditores-fiscais e analistas-tributários.
Como funcionaria o esquema
De acordo com os elementos reunidos na investigação, o grupo teria montado uma estrutura empresarial com companhias registradas no Brasil e no exterior. Parte dessas empresas estrangeiras teria sido utilizada para justificar grandes remessas internacionais de dinheiro.
O problema identificado pelos investigadores é que, apesar dos valores movimentados, as empresas constituídas fora do Brasil não apresentariam, em tese, atividades econômicas compatíveis com o volume dos recursos.
A estrutura teria servido para criar a aparência de que as operações de apostas e jogos eram conduzidas a partir do exterior. Na prática, segundo a investigação, a administração, as decisões e a operação dos negócios ocorreriam em território brasileiro.
O fluxo financeiro investigado envolveria diferentes mecanismos, entre eles:
- empresas brasileiras e estrangeiras;
- instituições de pagamento;
- operações de câmbio;
- ativos digitais;
- remessas internacionais;
- estruturas societárias complexas.
A combinação desses mecanismos teria dificultado a identificação da origem e do destino final dos recursos, além de dificultar a identificação dos beneficiários efetivos das operações.
Suspeita de sonegação e evasão de divisas
Além da possível ocultação da origem dos recursos, a investigação aponta indícios de omissão de rendimentos e de utilização das estruturas empresariais para reduzir ou evitar irregularmente o pagamento de tributos relacionados às atividades desenvolvidas.
Também são investigados possíveis crimes de evasão de divisas e lavagem de dinheiro.
A suspeita é de que recursos movimentados pelas atividades de apostas e jogos tenham circulado por diferentes empresas e mecanismos financeiros antes de chegar aos seus destinos, dificultando o rastreamento das operações.
Segundo os investigadores, a exploração de apostas de quota fixa passou recentemente por um processo de regulamentação no Brasil, mas as atividades relacionadas ao setor investigado já vinham sendo realizadas anteriormente. A apuração busca verificar se, nesse período, foram utilizados mecanismos para esconder operações, receitas e os verdadeiros beneficiários dos negócios.
Por que empresas no exterior entraram no radar
Um dos pontos centrais da investigação é a utilização de empresas estrangeiras para justificar remessas de valores para fora do Brasil.
Segundo a Receita Federal, os elementos reunidos indicam que algumas dessas empresas não teriam estrutura ou atividade econômica compatível com os valores que movimentavam.
A hipótese investigada é que essas companhias tenham funcionado como parte de uma estrutura para dar aparência de legalidade às transferências e dificultar a identificação de quem efetivamente controlava os recursos.
A investigação também considera o uso combinado de operações de câmbio, instituições de pagamento e ativos digitais como mecanismos que poderiam dificultar o rastreamento financeiro.
Receita Federal entrou na investigação em 2025
A Receita Federal passou a atuar na investigação em 2025, com análises voltadas à identificação de possíveis fraudes estruturadas, planejamento tributário abusivo, evasão de divisas e lavagem de dinheiro.
Os dados produzidos pelo órgão foram posteriormente confrontados com outras diligências e, segundo a Receita, contribuíram para o aprofundamento da investigação e para a autorização das medidas judiciais cumpridas nesta quarta-feira.
A partir dos materiais apreendidos, os órgãos envolvidos deverão aprofundar a análise da movimentação financeira e da estrutura empresarial investigada.
As informações também poderão subsidiar futuras ações fiscais, inclusive para eventual constituição de créditos tributários que sejam identificados como devidos.
Onde a operação ocorreu
Na Paraíba, os mandados foram cumpridos em João Pessoa, Campina Grande e Serra Branca.
Também houve diligências em Aracaju (SE); São Paulo (SP); Rio de Janeiro e Niterói (RJ); e Curitiba (PR).
Ao todo, foram autorizados 17 mandados de busca e apreensão em 14 locais.
A operação investiga, nesta fase, indícios de crimes e irregularidades. A análise dos documentos, equipamentos, registros financeiros e demais materiais apreendidos deverá determinar a extensão das operações e eventual responsabilidade dos envolvidos.

