O Ministério Público da Paraíba (MPPB) apresentou uma nova denúncia contra o delegado Braz Morroni e os policiais civis Everton Aires e Eduardo Jorge Ferreira do Egito, investigados no âmbito da Operação Perfidus. Desta vez, o grupo é acusado pelos crimes de tráfico de drogas e associação para o tráfico, ampliando o alcance das acusações já formuladas contra os investigados.
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Segundo o Gaeco, responsável pelas investigações, esta é a terceira denúncia relacionada ao caso. As duas anteriores trataram de episódios envolvendo o desvio de entorpecentes apreendidos e invasões de imóveis durante operações policiais.
Além dos três agentes públicos, o Ministério Público incluiu na nova ação penal outros quatro investigados apontados como integrantes do suposto esquema: José Alexandrino de Lira Júnior, conhecido como “Júnior Lira”, João Wictor Alves de Lima, Brendo Roberth Fernandes Sobral e Paulo Ricardo Barbosa de Souza.
Na denúncia, o MPPB requer a condenação dos acusados, a perda definitiva dos cargos ocupados na Polícia Civil e o pagamento de indenização mínima de R$ 1 milhão por danos morais coletivos. O órgão sustenta que os fatos investigados causaram prejuízos à moralidade administrativa, à segurança pública e à ordem social.
O Ministério Público também pediu o confisco dos veículos, valores e demais bens apreendidos ou bloqueados durante a Operação Perfidus, sob o argumento de que o patrimônio seria proveniente da atuação da organização criminosa investigada.
Acusações anteriores
Na primeira denúncia apresentada pelo Gaeco, Braz Morroni, Everton Aires e Eduardo Jorge passaram a responder por furto qualificado, abuso de autoridade, falsificação de documento público e fraude processual.
De acordo com o Ministério Público, os policiais recebiam informações sobre locais utilizados para armazenamento de drogas, realizavam incursões nos imóveis e desviavam parte dos entorpecentes encontrados. Apenas uma pequena quantidade seria registrada oficialmente como apreendida.
Para sustentar as acusações, a investigação reúne provas obtidas por meio da análise de aparelhos celulares, dados de geolocalização de viaturas, quebras de sigilos telemáticos, bancários e fiscais, monitoramento dos investigados, além de documentos e depoimentos.
Operação Perfidus
Deflagrada para apurar a atuação de uma organização criminosa, a Operação Perfidus investiga suspeitas de tráfico de drogas, corrupção e vazamento de informações sigilosas envolvendo agentes públicos e particulares.
Durante a operação, foram cumpridos nove mandados de prisão e 24 de busca e apreensão, além do bloqueio judicial de aproximadamente R$ 10 milhões em bens e ativos financeiros dos investigados.
Braz Morroni, um dos principais alvos da investigação, atuava na Delegacia de Crimes Contra o Patrimônio (DCCPAT), em João Pessoa, e acumula mais de duas décadas de atuação na Polícia Civil da Paraíba, tendo passado também pela Delegacia de Repressão a Entorpecentes.
Até a publicação da denúncia, as defesas de Braz Morroni, Everton Aires e Eduardo Jorge não haviam se manifestado sobre as novas acusações. Os demais denunciados também não foram localizados para comentar o caso.

