Selma Vasconcelos celebra “volta à casa paterna” com posse na ALCG

(Foto: Reprodução)

A escritora Selma Vasconcelos tomará posse na Academia de Letras de Campina Grande (ALCG) no próximo dia 26 de março. A cerimônia solene, que oficializa o ingresso da autora na instituição, será realizada às 19h30, no Museu de Artes e Ciências (MAC) de Campina Grande, localizado no bairro do Catolé.

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“Academia de Letras de Campina Grande

O adágio popular sempre festeja e comemora a volta do filho à casa paterna. O tema desse artigo refere-se à minha experiência de voltar à minha terra pelo vínculo afetivo indissolúvel e através da Academia de Letras de Campina Grande. As academias representam instrumentos valiosos de preservação de valores intelectuais e da cultura de uma nação. São instituições imprescindíveis ao culto desses valores.

Assim sendo, quero prestar uma homenagem ao saudoso Dr. Amaury Vasconcelos por haver sido ele o criador dessa nobre instituição que é a Academia de Letras de Campina Grande. A ata de sua instalação oficial foi registrada em reunião realizada no dia 9 de abril de 1981, às 20h, na residência do Dr. Amaury, à rua Desembargador Trindade, nº 406, neste município.

Há algum tempo, alimentei o convívio com os acadêmicos campinenses, o que foi sempre muito gratificante e profícuo, considerando-se a excelência do grupo, sua pujança e a magnitude de iniciativas em prol da cultura local e nacional, o que torna a ALCG celeiro de cultura para nosso estado e para o Brasil.

Meu percurso até aqui inicia-se com a Educação Básica no Colégio das Damas de Instrução Cristã. Ali forjei meus valores cristãos, civis e morais. Foram anos de dedicação exclusiva ao estudo e à minha formação integral como pessoa. Era o tempo da delicadeza. Passava tardes a frequentar a Livraria Pedrosa. O livreiro José Pedrosa ali instalou um verdadeiro ponto referencial de cultura para os intelectuais da cidade, que favorecia a troca de ideias, alimentava nosso pensamento crítico e promovia leituras dos nomes mais importantes da literatura brasileira dos anos 1950.

Foi com essa bagagem, forjada sob o céu da Borborema, que cheguei aos bancos universitários, precisamente à Faculdade de Medicina da UFPE. A partida de Campina, do seio amoroso de minha terra e de minha família, foi muito dolorosa. Sempre aqui voltava para revê-la, trazida pelas mãos diligentes de meu pai, Agenor Vasconcelos, que, como eu, tinha um amor imenso pela cidade e foi um dos propulsores de seu desenvolvimento econômico. Aqui, ele fundou uma das primeiras indústrias alimentícias do estado, com a marca Indústrias Alimentícias Neves.

Pelo seu esforço reconhecido e empreendedor, foi agraciado pela Câmara de Vereadores da cidade, através da Lei Municipal nº 3.090, de 23 de dezembro de 1995, que denominou uma artéria do município com o seu nome, eternizando assim sua memória. Campina Grande, portanto, está fortemente ligada à minha memória afetiva.

Dediquei-me à literatura como atividade paralela à minha atuação como médica pediatra clínica. A escrita sempre foi para mim um alimento. Apesar de minhas atividades médicas e docentes em Recife, sempre voltei aqui e participei de encontros literários da cidade, desde os saudosos congressos literários idealizados pela nossa mestra Elizabeth Marinheiro, nos anos 1990, até há pouco tempo, quando participei da Flip, Festa Literária de Campina Grande, celebrando o centenário do poeta João Cabral de Melo Neto.

Esse pernambucano, reconhecido universalmente, foi meu objeto de estudo por uma década, o que resultou em uma de suas biografias disponíveis no país. O ensaio Retrato falado do poeta é hoje um livro de referência para os estudiosos de sua obra. Agora, volto definitivamente à minha terra pelos caminhos das letras, desde que fui honrosamente eleita para ocupar a cadeira 37 da Academia de Letras de Campina Grande.

Esse fato representou para mim a coroação de minha dedicação à leitura e à escrita. Aproveito este espaço e esta oportunidade para revelar toda a minha satisfação em ter voltado à casa paterna, através do cultivo às coisas do espírito, o que me remete, sem dúvida, às minhas raízes aqui fincadas desde os verdes anos da juventude. Obrigada, Campina Grande!”

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