Os grevistas prometeram em ata que não iam usar carro de som na porta do templo para não atrapalhar os cultos. Por seu lado, o patrão disse, durante um sermão, que os trabalhadores em greve têm “a alma no fogo do inferno”. A histórica paralisação dentro da Igreja Mundial do Poder de Deus, denominação liderada por Valdemiro Santiago, tem uma negociação bem peculiar. A reportagem é do portal UOL.
“Eles ficam falando de teologia da prosperidade, mas não são capazes de pagar em dia seus funcionários. A gente passa vergonha com impostos atrasados e sem vale-refeição para comer”, reclama a atendente Vera Lúcia Nazário, que foi obreira voluntária por três anos antes de virar atendente com carteira assinada. Há oito anos ela trabalha na central de carnês e boletos para quem paga dízimos e doações. Ela está no grupo de grevistas mobilizados na entrada da sede central no Brás, centro de São Paulo.
Segundo sindicalistas, incluindo os do Seibref (Sindicato dos Empregados em Instituições Beneficentes, Religiosas e Filantrópicas de São Paulo), esta é a primeira vez que há uma paralisação de funcionários diretamente da estrutura de uma igreja no Estado de São Paulo — não há notícia sobre paralisação similar no país. Além da área administrativa, parte do pessoal da TV Mundial também está parado.


