Por Walter Santos
” Na condição de Secretário Executivo de Ciência e Tecnologia sou contido pelas limitações do cargo, pois sempre tenho como pressuposto que quem fala pelo governo é o Governador”, disse em entrevista à editoria WSC&T o Secretário de Ciência e Tecnologia, Rubens Freire, evocando pensadores globais para defender que sem a ação do governo do Estado o Parque Tecnológico “Horizontes de Inovação” no Centro Histórico de João Pessoa nada existiria da forma anunciada.
Antes de responder às perguntas, o secretário teorizou que ” à guisa de introdução: o amigo de longa data, Walter Santos, encaminha para mim um conjunto de indagações sobre a iniciativa do Governador João Azevêdo de instalar um equipamento que venha a caracterizar um parque tecnológico no antigo Colégio das Neves, centro histórico de João Pessoa. Adianto que várias das perguntas não são nem serão respondidas por mim, apesar de ter opiniões sobre todas elas”.
Ele adianta ainda: ” Entretanto, na condição de Secretário Executivo de Ciência e Tecnologia sou contido pelas limitações do cargo. Sempre tenho como pressuposto que: quem fala pelo governo é o Governador.
Estabelecido de maneira clara este limite vamos ao ponto e seguindo a ordem das questões encaminhadas tentarei respondê-las deu ma maneira coloquial como gosto… Em tom de conversa”.
Eis as perguntas enviadas:
WSCOM – Como o Sr. Se sente e encara a condição de ser o Secretário de Ciência e Tecnologia do Governo para implantar o Parque Tecnológico “Horizontes da Inovação” no Centro Histórico de João Pessoa dentro de uma perspectiva de mudanças até radicais?
RUBENS FREIRE – Pode suprimir o “Sr.”. Não há necessidade disto entre nós… E agora pergunto-me como responder à pergunta? Walter, como você bem sabe, geralmente, respondemos tais perguntas com expressões como: “sinto-me honrado”, “é uma tarefa complexa que me incumbiram”, “sinto-me preparado para o desafio” e segue a lista de platitudes. Ser secretário é uma circunstância, o que eu sinto é privado e irrelevante para o propósito pois ele é uma iniciativa do governo e será levado a cabo com a minha presença, sem a minha presença ou apesar da minha presença.
WSCOM – Qual o projeto trabalhado para ocupar além do prédio do ex-colégio Nossa Senhora das Neves?
RUBENS FREIRE – Há dois aspectos contidos nesta questão. O primeiro, mais abrangente, seria a ressignificação do Centro Histórico de João Pessoa a partir de um projeto urbanístico que eleja a cidade e o/a cidadão/cidadã como centro da proposta. Há exemplos já realizados em outras cidades pelo mundo. Evidentemente, é uma iniciativa que requer articulação entre a Prefeitura de João Pessoa, Governo do Estado e sociedade organizada representada pelas suas mais diversas dimensões. Procedimento que requer mobilização destes partícipes, vontade, oportunidade e percepção do momento
Compreendendo que há limitações formais relevantes para intervenções do Governo do Estado no âmbito da Cidade somos remetidos ao segundo ponto. Na apresentação da proposta pelo Governador, ele fez referências a algumas iniciativas em curso: o interesse em desenvolver atividades de formação para o trabalho na antiga Fábrica de Bebidas Tito Silva, a obra em execução da Escola de Artes, uma nova finalidade para o Palácio da Redenção, um projeto para o antigo prédio da Assembleia Legislativa na Praça Pedro Américo entre outros.
WSCOM – Dentro de uma visão pragmática e ideológica, o Polo Digital existiria sem a interferência positiva do governo?
RUBENS FREIRE : (risos)…. “Existiria… ?” não sei… O fato é que até o dia 15 de janeiro não existia e mais, pelo que me recordo, sempre houve nesses pelo menos últimos vinte anos, uma demanda do APL ou do ecossistema de inovação local por uma iniciativa desta natureza por parte do poder público. O Governo do Estado trouxe para si, de forma inequívoca, esta responsabilidade e está encaminhando a realização da demanda histórica do ecossistema, articulando-a com a possibilidade para ações mais abrangentes no Centro Histórico da nossa cidade. “… Existiria…?” … Não. E agora lá vou eu com os meus cacoetes de professor:
Há algum tempo, procurando compreender o que é inovação atrevi-me a ler o “O Profeta da Inovação – Joseph Schumpeter e a Destruição Criativa” (Thomas K. Maccraw), uma biografia de Schumpeter que me encantou (e recomendo). O autor (laureado com o Pulitzer) professor e historiador econômico aproveita Schumpeter para nos ensinar sobre o que é inovação. Mais recentemente li o “O Estado Empreendedor – Desmascarando o Mito do Setor Público vs. Setor Privado” (que recomendo) nele, a autora (Mariana Mazzucato) demonstra de forma inequívoca que não há Ciência, Tecnologia e Inovação sem a forte iniciativa do Estado na organização e impulsionamento do ecossistema.
Aliás, fazendo um breve passeio pela história desde a mítica Escola de Sagres a Shenzhen passando por Granada, Vale do Silício, Campina Grande, Recife, Florianópolis, Barcelona, Lisboa e por onde mais queiramos ir aonde ocorreram iniciativas semelhantes elas aconteceram com presença muito forte da mão inovadora e empreendedora do Estado.
WSCOM – No caso do Parque na Capital paraibana…
RUBENS FREIRE – E retornando a João Pessoa verificamos, de maneira fácil, que nem a iniciativa privada nem o setor público até o dia 15 de janeiro haviam tomado iniciativa de tal envergadura. Coube ao empreendedorismo do Governo João Azevêdo fazê-lo.
WSCOM – Quais as bases do Parque Tecnologico?
RUBENS FREIRE – Desculpe-me, mas achei esta pergunta um tanto vaga.
WSCOM – Que modelo comparativo os senhores discutem para implantar?
RUBENS FREIRE- Os senhores e as senhoras… Há um grupo de trabalho no âmbito da Secretaria de Estado da Educação e da Ciência e Tecnologia – SEECT que tem trabalhado já há algum tempo sobre o assunto. Temos nos inspirados nos vários modelos que existem e em documentos já elaborados pelo ecossistema local em eventos coordenados pela SEECT.
WSCOM – Por que o ecossitema se mantém distante da implantação?
RUBENS FREIRE – Creio que esta questão já foi respondida anteriormente
WSCOM – Os investimentos abrigam ou não a Cultura e a economia criativa?
RUBENS FREIRE : Quais investimento?
WSCOM – Quais investidores ou investidoras?
RUBENS FREIRE – Peço desculpas, mas mais uma vez a pergunta é vaga.
O Governo está empenhado em criar condições objetivas para a instalação do Ambiente de Inovação. As atividades que serão desenvolvidas dependerão das estruturas formais que serão construídas com a participação mais ampla da sociedade. E, evidentemente, consideramos, a exemplo de outros locais semelhantes do mundo a presença da chamada “economia criativa” e da produção cultural.
WSCOM – Como mudar o rumo de uma ambiência histórica singular?
RUBENS FREIRE – Mais uma vez, creio que a questão já foi respondida.
WSCOM – Como as novas gerações vão estar contempladas?
RUBENS FREIRE – Peço desculpas, mas a expressão “novas gerações” soa de forma vaga para mim. Entretanto considerando o pronunciamento do Governador quero crer que você está referindo-se jovens egressos do ensino médio. Para este segmento temos um outro projeto com duas vertentes. Uma e a constituição de um ambiente de formação para o mundo do trabalho com foco no empreendedorismo e na inovação. E outra é o Programa Ouse Criar já em execução.


