A Catarse de Carlos Aranha, a reação maluca de Zé Ramalho e a omissão perigosa do DECOM e Sindicato dos Jornalistas contra o mercado da Comunicação
Nos anos 70/80 a UFPB explodia de manifestações de professores, estudantes e técnico-administrativos pela retomada da democracia e da liberdade de expressão. A ADUF, recém criada, produziu uma NOTA, lembro bem, e foi ao camarim de Zé Ramalho no Astréa – grande celeiro à época- e o artista se recusou a ler um apoio público à luta da sociedade. Se não me engano foi Paula Frassinete que teve o ofício de entregar o documento.
À época, o multicultural e colunista de A UNIÃO, Carlos Aranha, produziu belo texto sobre a catarse em torno de Zé Ramalho contestando a omissão do Neto de Avohai.
Lembro-me como se fosse hoje: Zé com Onaldo Mendes (ambos vivos) foram de ônibus à sede do jornal na Rua João Amorim para dar um soco em Aranha, que se escafedeu. Não o atingiu, mas marcou Zé para sempre.
O OUTRO SOCO NA HISTÓRIA
Nesta quarta-feira, 15 de abril de 2020, diversas entidades de comunicação- API, Sindicato dos Radialistas, AMIDI, ABAP, SINAPRO – jornalistas, radialistas e publicitários – soltaram manifesto pela defesa do mercado, do emprego e das empresas. Nenhuma das partes vive sozinha.
As entidades representam o GRITO de sobrevivência que sem ele tudo desmoronará sem retorno. Ainda bem que ainda existe quem lute pela existência dos atores do mercado! Só quem está demitido como ex-funcionários do Jornal Correio da Paraíba sabem deste significado.
GRAVE MOMENTO DAS EMPRESAS
Não há quem de bom senso ignore a fundamental importância dos profissionais de comunicação. Só que o mercado está num buraco e há anos acumula prejuízos sem parar. A realidade do Jornal Correio não é de hoje, faz tempo vive em crise.
O fato é que há um novo modelo de empresas individuais com o mercado totalmente invadido por alienígenas e picaretas ocupando espaços de profissionais.
O NEGO DA OUTRA PARTE
Pois bem, por incrível que pareça o Sindicato dos Jornalistas, a Assemp e o Departamento de Comunicação da UFPB – o velho DAC – se recusaram a apoiar a nota, embora os dois sindicatos tenham aprovado e depois desfeito o apoio.
No caso do DECOM, é incompreensível e inaceitável que formando profissionais tenha se recusado a apoiar o emprego, os profissionais de comunicação e as empresas de forma decente.
Em síntese, ou o mundo enlouqueceu de vez ou nosso mercado convive com agentes contra a própria sobrevivência do Mercado, como jamais seria possível imaginar.
Réquiem para nossas futuras gerações desprotegidas!
ÚLTIMA
“O olho que existe/ É o que vê”.
LEIA A NOTA DAS ENTIDADES EM FAVOR DO EMPREGO E DO MERCADO
‘NA LUTA CONTRA O CORONAVÍRUS, PAPEL DO JORNALISMO É INDISPENSÁVEL E COMUNICAÇÃO PRECISA SE MANTER DE PÉ COM EMPREGOS
O Coronavírus atingiu todos os segmentos com maior ou menor intensidade cabendo a cada um dimensionar os efeitos. Também afetada diretamente pela crise, as empresas de comunicação mantêm o papel responsável e intransferível do tratamento e veiculação das informações apuradas à sociedade.
Mas, é fundamental admitir que em tempos de crise afetando a todos, se faz urgente invocar como indispensável a manutenção dos investimentos privados e públicos na cadeia produtiva do jornalismo e da comunicação (rádios, TV’s, portais, sites, agências de publicidade, marketing digital, produtoras de áudio-visual, assessorias de imprensa, entre outros).
As ações comerciais e anúncios institucionais são a única fonte capaz de assegurar a mínima sustentabilidade desse importante sistema econômico gerador de empregos para um grande universo de profissionais que envolve repórteres, apresentadores, colunistas, produtores, editores, sonoplastas, iluminadores.
Além do mais, existem muitas famílias envolvidas e as empresas também abrigam diversos outros segmentos profissionais, que vão de recepcionista, recursos humanos, vigilantes, advogados, fonoaudiólogos, contadores, eletricistas, informática, publicitários, programadores, mídias, atendimento, vendedores, técnicos, engenheiros, para citar alguns.
A Comunicação não é uma peça isolada em si, mas parte mais visível de uma grande engrenagem presente na economia do dia dia e que merece e reivindica igual atenção a que tem sido dispensada, com justiça, às demais categorias profissionais.
As entidades, abaixo discriminadas, compromissadas com o direito à informação, consagrado na nossa Constituição Federal, com a democratização dos meios, e defensoras da importância dos veículos de comunicação como fortalecedoras da democracia na sociedade, perfilam-se também na defesa da auto sustentação dos veículos e sobrevivência dos seus agentes e trabalhadores.
Por tudo isso, consideramos indispensável a manutenção dos investimentos comerciais na mídia pelo mercado privado e organismos públicos, estes com a tarefa ainda mais coletiva de manter em evidência serviços essenciais e campanhas de conscientização.
O contrário disso significa, na prática, insensibilidade e a desidratação letal de uma estrutura composta por homens e mulheres, trabalhadores e trabalhadoras, que – por dever de ofício e convicção cidadã – tem se arriscado e se feito parceiro indispensável na guerra contra essa terrível pandemia que ameaça saúde, empregos e renda.
Associação Paraibana de Imprensa (API)
Sindicato dos Radialistas da Paraíba
Associação de Mídia Digital (Amidi-PB)
Associação Brasileira das Agências de Publicidade (Abap-PB)
Sindicato das Agências de Propaganda-PB (Sinapro-PB)’
Escrito por: construirsites
