Professora destaca importância da carcinicultura na Paraíba

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A professora Andrea Bezerra Cavalcanti destaca em artigo o Cenário da Carcinicultura no Mundo e na Paraíba. Confira o artigo na integra abaixo:

O Cenário da Carcinicultura no Mundo

Por Andrea Bezerra Cavalcanti

Carcinicultura é o cultivo de crustáceos em ambientes relativamente controlados e abrange a produção de caranguejo, lagosta e, principalmente, de camarão.
A aquicultura em geral vem suprir a demanda alimentar que cresce a cada ano, com a densidade populacional humana e, se realizada com os devidos cuidados ambientais, pode ser uma alternativa sustentável à pesca. Segundo os últimos relatórios da FAO sobre a pesca, a produção do pescado cultivado superou a exploração extrativista.

A espécie marinha Litopenaeus vannamei é a mais explorada e de maior valor econômico no mundo, pode ser cultivada também em águas interiores, de baixa salinidade, a exemplo do polo aquícola localizado em Salgado de São Félix, na Paraíba. Das espécies continentais, está em ascensão o cultivo do exótico ‘gigante da malásia’, espécie maior, de ciclo produtivo mais longo, menos exigente, mais resistente às doenças e que pode ser cultivado em consórcio com tilápias.

O cultivo específico de camarões é realizado em quatro continentes – com exceção da Europa. Indonésia e Tailândia são os maiores produtores do mundo. No Brasil, a carcinicultura se concentra essencialmente no nordeste, nos estados do Rio Grande do Norte e Ceará, sendo 74% dos empreendimentos de pequeno porte _ de até 5 hectares.

O maior entrave da atividade é prevenir e administrar as doenças emergentes que atacam os viveiros e podem reduzir drasticamente a produção, motivo pelo qual muitos criadores de camarão abandonam a atividade.

A ‘mancha branca’ é a doença mais conhecida, trazida da Ásia, através da importação de animais ou alimento vivos e causou, em 2011, grande mortalidade nas águas do Rio Grande do Norte, polo camaroneiro que detêm 180 produtores de camarão.

Viveiros superintensivos, com altas densidades, automatizados e supercontrolados com sistemas de bioflocos, bifásico, multitrófico, em estufas, são as tecnologias mais recentes e de alto investimento, permitindo uma densidade de até 180 indivíduos por m3. A maior quantidade de indivíduos, por espaço, aumenta a incidência de doenças e não deve ser elevada para compensar as perdas por mortalidade. Aos pequenos produtores, de menor poder aquisitivo, cabe a prevenção, o povoamento de baixa densidade, o manejo contínuo e atenção aos sintomas de infecção. Hoje, os produtores do Rio Grande do Norte estão adotando uma densidade de até 6 indivíduos por m3, o que deteriora bastante o rendimento, mas que garante o controle e a sobrevivência.

A sanidade dos camarões pode ser preservada com a aquisição de pós-larvas de procedência certificada, livre de patógenos (SPF), advindas de melhoramento genético _ apresentando maior resistência às doenças.

O manejo adequado da água e do fundo dos viveiros, a nutrição suplementada com probióticos (bactérias benéficas), a aplicação de ácidos orgânicos e, em último caso, o uso de antimicrobianos específicos, são medidas preventivas que vêm sendo utilizadas, mas que necessitam de um diagnóstico precoce e do diálogo entre cientistas veterinários, biólogos e aquicultores, substancializando a transferência de tecnologias para o setor produtivo, que deve ter o incentivo do Estado.
 

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