O embaixador dos Estados Unidos no Brasil, Thomas Shannon, entregará seu posto nesta sexta-feira (6), como o previsto há meses, em meio à crise bilateral envolvendo acusações de espionagem por parte de Washington.
Embaixador no Brasil desde 2009, Shannon foi chamado duas vezes nas últimas semanas pela chancelaria brasileira para dar explicações sobre a suposta espionagem de Washington, que teria incluído a presidente Dilma Rousseff.
O último chamado foi na segunda-feira (2), um dia após o programa Fantástico denunciar que Washington interceptou comunicações entre Dilma Rousseff e seus assessores, com base em um documento de junho de 2012 atribuído à NSA (agência de segurança dos Estados Unidos).
Na segunda-feira, a presidente realizou reuniões de emergência com seus ministros, e, em coletiva, o chanceler Luiz Alberto Machado e o ministro da Justiça, Eduardo Cardozo, qualificaram de “inadmissível e inaceitável” a suposta espionagem à Dilma Rousseff e exigiram explicações rápidas e por escrito do governo norte-americano. Eles defenderam ainda a elaboração de um código de conduta internacional sobre espionagem e privacidade na internet.
O novo episódio de espionagem é um ingrediente que pode azedar a visita de Estado da presidente Dilma Rousseff aos Estados Unidos, marcada para 23 de outubro.
Na história recente brasileira, uma visita de Estado do Brasil aos Estados Unidos aconteceu pela última vez em 1995, com Fernando Henrique Cardoso. O presidente Lula, que desagradou aos americanos ao se aproximar do Irã (do ex-presidente Mahmoud Ahmadinejad) e da Venezuela chavista, não foi convidado para realizar uma visita de Estado.
Shannon, que será o novo embaixador dos Estados Unidos na Turquia, será substituído no Brasil por Liliana Ayalde, ex-diplomata dos EUA no Paraguai.


