O mercado digital de canetas de GLP-1 e outros formatos do princípio ativo vive uma disparada de vendas no país. Dados da datatech Serasa Experian revelam que o Brasil registrou 1.364.354 pedidos online das “canetas emagrecedoras” no primeiro semestre de 2026, movimentando R$ 2,34 bilhões. O resultado representa alta de 149,3% na comparação com os primeiros seis meses de 2025, quando foram contabilizadas 547.249 compras.
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O crescimento reforça a expansão desse mercado no ambiente digital, mas também chama a atenção para a necessidade de proteção das transações. Nos seis primeiros meses do ano, foram identificadas 3.966 tentativas de fraude, que envolveram R$ 7.864.725,56.
A maior exposição da categoria também acompanha um movimento identificado pelo Mapa da Fraude da Serasa Experian. Este ano, “Saúde” passou a integrar, ao lado de “Beleza” e “Calçados”, as três categorias do e-commerce com maior volume de tentativas barradas. Segundo a análise do Diretor de Autenticação e Prevenção à Fraude, Rodrigo Sanchez, segmentos com alta procura, produtos de maior valor unitário, recorrência de compra e facilidade de revenda tendem a despertar mais interesse, tanto dos consumidores quanto dos fraudadores.
“Produtos de maior valor agregado e que passam por um crescimento acelerado de demanda podem atrair também a atenção dos fraudadores. Por isso, não basta avaliar apenas os dados cadastrais ou o meio de pagamento de forma isolada. É necessário combinar diferentes camadas de inteligência, como análise de identidade, dispositivo, comportamento e transação, para identificar riscos sem criar barreiras desnecessárias aos consumidores legítimos”, afirma o executivo da datatech.
A aceleração começou a ganhar força em maio e junho de 2025, período que também coincidiu com mudanças importantes no ambiente regulatório e na disponibilidade dos tratamentos. Em abril de 2025, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária aprovou a retenção de receita para medicamentos agonistas de GLP-1, regra que passou a valer em 23 de junho. O levantamento não permite, entretanto, isolar o impacto de cada evento sobre o volume de pedidos.
Entre julho de 2025 e junho de 2026, o mês de novembro teve o maior volume, com 292.800 pedidos e R$ 476,7 milhões. Na sequência, março de 2026 apresentou a segunda maior alta, com 285.952 solicitações, movimentando o maior montante em valor da série, R$ 478,1 milhões. “O pico de novembro coincidiu com a Black Friday, período marcado pela intensificação das campanhas promocionais no comércio eletrônico, e ainda com a antecipação das festas de fim de ano e férias de verão, que ocorrem entre dezembro e janeiro”, analisa Sanchez.
Millenials e geração X concentram demanda
Os Millennials (Geração Y) foram responsáveis pelo maior número de pedidos do semestre (436.589 solicitações), seguidos da Geração X, que apareceu muito próxima, com 424.673. Juntas, as duas gerações concentraram 63,1% de todos os pedidos do período. A concentração entre adultos maduros encontra contexto no perfil epidemiológico do país: a Pesquisa Nacional de Saúde mostrou que a prevalência de excesso de peso sobe de 33,7% entre pessoas de 18 a 24 anos para 70,3% entre aquelas de 40 a 59 anos. Esses dados ajudam a contextualizar a maior procura observada entre as gerações Y e X, mas não permitem atribuir o consumo individual exclusivamente à condição de saúde.
Do total de tentativas de fraude relacionadas aos pedidos dos medicamentos, os Millenials concentraram o equivalente a um terço do total (1.340). Proporcionalmente, porém, a maior incidência foi registrada entre a Geração Z, com tentativas identificadas em 0,87% dos pedidos, ou seja, quase 1 a cada 100.
Na comparação anual, os Baby Boomers apresentaram o crescimento mais acelerado de pedidos, com alta de 273,7% em comparação ao primeiro semestre de 2025, chegando a 164.687 solicitações. A Geração Alpha, por sua vez, esteve associada a mais de 20,5 mil pedidos e uma movimentação de R$ 36 milhões no primeiro semestre. Esse recorte indica pedidos vinculados a CPFs classificados nessa geração e não significa, necessariamente, que crianças ou adolescentes tenham realizado diretamente as compras.
Em uma análise por faixa etária, a menor variação ocorreu entre pessoas de até 25 anos, ainda assim expressiva, com alta de 84,14%. Com o crescimento da faixa etária, cresce também a variação dos pedidos, chegando ao aumento de quase 300% da população de 71 a 90 anos, em relação ao primeiro semestre de 2025. Entre os brasileiros com mais de 90 anos, faixa etária mais velha analisada, o aumento também foi relevante, de 134,45%.
Volume de pedidos entre mulheres foi 75% maior que o registrado entre homens
As mulheres lideraram o consumo online da categoria no primeiro semestre de 2026. Foram 602.815 pedidos associados ao público feminino (44,2% do total), que movimentaram R$ 1 bilhão em solicitações. Na comparação com o público masculino, as mulheres registraram 75,2% pedidos a mais. A categoria “Outros”, que envolve outros gêneros ou pedidos feitos sem identificação nessa categoria, respondeu por 417.563 pedidos e R$ 722,9 milhões.
Sudeste concentrou dois terços dos pedidos
A região Sudeste, sozinha, respondeu por 901.191 pedidos no primeiro semestre de 2026, o equivalente a 66,1% do volume nacional. Em seguida apareceram Sul (188.997 pedidos) e Nordeste (139.841). Na comparação anual, o Nordeste foi a região com maior crescimento percentual no número de pedidos (alta de 195,2%), mesmo partindo de um volume bem menor que o Sudeste. Sul e Norte também tiveram avanço expressivo, de 170,9% e 170,5%, respectivamente.
Olhando para as ações dos fraudadores, o Sudeste também concentrou a maior parte das ocorrências, superando 2,4 mil nos seis primeiros meses de 2026. A região Nordeste ficou na segunda posição, com 1.007 ocorrências, sendo também o território com o avanço mais expressivo das tentativas de fraude, de 65,4%.
