O governo federal deve confirmar, na primeira metade de junho, o aumento da mistura de etanol anidro na gasolina de 30% para 32%. A informação foi divulgada nesta segunda-feira pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Rosa, durante evento promovido pela Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan).
Segundo o ministro, a medida já conta com amplo apoio dentro do governo e a deliberação no Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) deve ocorrer apenas como etapa formal do processo.
Rosa afirmou que não espera resistência dos integrantes do conselho e destacou que estudos técnicos indicam que a elevação da mistura não traz prejuízos aos motores dos veículos. “Até 32%, não há qualquer problema para a motorização”, declarou.
Governo prepara decisão sobre aumento do etanol na gasolina
A proposta de ampliação da mistura já havia sido mencionada anteriormente pelo ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira. No fim de abril, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva também confirmou a intenção do governo de avançar com a mudança.
Uma reunião do CNPE chegou a ser marcada anteriormente, mas acabou adiada em razão da viagem oficial de Lula aos Estados Unidos, conforme explicou Silveira.
A expectativa do governo ocorre em um cenário de crescimento da produção de etanol no Brasil. O Centro-Sul, principal região produtora do biocombustível, pode registrar safra recorde neste ano, impulsionada pelo aumento da destinação de cana-de-açúcar para etanol, além da expansão da produção de etanol de milho.
Márcio Rosa acrescentou que uma futura elevação da mistura para 35% ainda depende de novos estudos técnicos.
Impacto do petróleo e negociações comerciais
O ministro também avaliou que os impactos da alta internacional do petróleo seguem controlados no mercado interno brasileiro, especialmente após o anúncio de medidas de subsídio pelo governo. Ele afirmou, porém, que novas ações poderão ser adotadas caso haja necessidade.
Durante o evento, Rosa comentou ainda sobre as exportações brasileiras de carne bovina para a China. Segundo ele, o governo mantém diálogo considerado positivo com os chineses para revisar a cota de 1,1 milhão de toneladas que limita os embarques ao principal parceiro comercial do setor.
Atualmente, exportações acima desse limite enfrentam tarifa adicional de 55%. De acordo com o ministro, a revisão dessa salvaguarda pode ocorrer em 2027.
Na área comercial, Rosa afirmou ainda que o próximo acordo internacional em negociação pelo Mercosul deve ser firmado com o Canadá. Segundo ele, cerca de 60% dos termos já foram acertados e a conclusão das tratativas pode acontecer ainda em 2026.
