A inteligência artificial já desponta como uma das principais forças de transformação no mercado de trabalho. Estudo recente do Massachusetts Institute of Technology (MIT) aponta que a tecnologia pode impactar diretamente até 11,7% dos empregos nos Estados Unidos, o equivalente a cerca de US$ 1,2 trilhão em salários. Apesar disso, apenas 2,2% das atividades foram efetivamente automatizadas até agora.
Os dados reforçam que o avanço da IA não está concentrado no desaparecimento de profissões, mas na mudança das tarefas exercidas dentro de cada função. Em vez de substituir trabalhadores integralmente, a tecnologia tende a assumir atividades repetitivas e operacionais.
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Para o CEO da HubCount BI, Gabriel Capano, o principal erro é associar inteligência artificial apenas à redução de equipes. Segundo ele, o verdadeiro valor econômico está no aumento da produtividade.
“A inteligência artificial não vai acabar com as profissões. Ela automatiza partes do trabalho, principalmente tarefas repetitivas e administrativas, liberando tempo para atividades mais estratégicas”, afirma.
Estudos globais indicam que a adoção da IA pode elevar a eficiência operacional entre 20% e 40% em setores como finanças, atendimento e operações. Em alguns casos, equipes conseguem reduzir em até 30% o tempo dedicado a tarefas operacionais e concentrar esforços em planejamento, análise e tomada de decisão.
O levantamento do MIT mostra ainda que o impacto está centrado em tarefas específicas, não em cargos completos. Em áreas administrativas e financeiras, por exemplo, atividades repetitivas podem representar entre 40% e 60% da rotina de trabalho, o que amplia o potencial de automação parcial.
Com isso, o perfil profissional também muda. Funções antes voltadas à execução passam a exigir mais capacidade analítica, leitura de cenários e decisões rápidas com base em informações.
Outro ponto destacado no estudo é a valorização dos dados. Empresas orientadas por dados tendem a registrar produtividade até cinco vezes maior e lucratividade 23% superior, segundo levantamentos de mercado. Ferramentas de business intelligence ganham espaço ao permitir análises mais rápidas e precisas.
Apesar do potencial, a adoção da inteligência artificial ainda enfrenta obstáculos. Mais de 60% das empresas relatam dificuldades por falta de dados organizados e processos internos estruturados. Sem essas bases, a tecnologia perde eficiência.
No caso dos trabalhadores, pesquisas apontam que profissionais que utilizam IA podem elevar a produtividade individual entre 25% e 50%, dependendo da função. A tendência, segundo especialistas, é que a tecnologia aumente a exigência por qualificação e destaque quem souber utilizá-la de forma estratégica.