Guerra no Oriente Médio pressiona aviação global e eleva custos das companhias aéreas

Alta no preço do combustível provoca aumento de tarifas, cortes de voos e impacto bilionário no setor

(Foto: Reprodução)

O conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã já provoca reflexos diretos na aviação mundial, com companhias aéreas alertando para o forte aumento nos custos operacionais. O principal impacto vem da disparada no preço do combustível de aviação, que deve gerar despesas extras de centenas de milhões de dólares, além de pressionar o reajuste de passagens e a redução de rotas em diferentes regiões.

Executivos do setor indicam que o repasse desses custos ao consumidor já começou. O presidente-executivo da Delta Air Lines, Ed Bastian, afirmou que apenas no mês de março a companhia teve um acréscimo de até US$ 400 milhões nos gastos com combustível. A American Airlines também prevê impacto semelhante no primeiro trimestre, com aumento estimado de US$ 400 milhões nas despesas.

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Na Europa, empresas já adotam medidas imediatas para conter prejuízos. A SAS AB, principal companhia aérea da Escandinávia, anunciou a redução de voos diante do aumento “repentino e acentuado” no preço do combustível. Segundo a empresa, todo o sistema de aviação europeu enfrenta pressão após o choque nos custos.

A guerra, que chega à terceira semana, também tem causado alterações significativas nas operações aéreas. Parte do espaço aéreo do Oriente Médio segue fechado por questões de segurança, levando ao cancelamento, redirecionamento ou reprogramação de voos. O cenário se agravou após ameaças de ataques com mísseis e drones, que já impactaram aeroportos da região.

O encarecimento do combustível se tornou um dos principais desafios do setor. Desde o início dos ataques, os preços praticamente dobraram na Europa e subiram cerca de 80% na Ásia. Tradicionalmente, o combustível representa entre 20% e 25% dos custos operacionais das companhias aéreas, ficando atrás apenas das despesas com mão de obra.

A situação também afeta grandes hubs internacionais. No aeroporto de Frankfurt, um dos principais da Europa, cerca de 86 mil passageiros foram impactados por cancelamentos nas primeiras semanas do conflito. Atualmente, apenas um terço das conexões semanais com o Oriente Médio está em operação, segundo o presidente-executivo Stefan Schulte.

Diante desse cenário, companhias buscam alternativas para equilibrar as contas. A Air France-KLM já anunciou aumento nas tarifas de voos de longa distância, enquanto outras empresas estudam a aplicação de sobretaxas de combustível, medida que, embora ajude a compensar custos, pode afetar a demanda.

Apesar das dificuldades, algumas empresas ainda registram crescimento. A American Airlines informou que a receita do primeiro trimestre deve superar as expectativas, com alta acima de 10%. Mesmo assim, a companhia projeta prejuízo ajustado por ação próximo ao limite inferior de suas estimativas anteriores.

Especialistas apontam que o setor aéreo enfrenta seu maior teste desde a pandemia de Covid-19, com a combinação de custos elevados e incertezas geopolíticas exigindo cautela das empresas, especialmente em relação ao aumento de tarifas em um momento de confiança ainda instável dos consumidores.

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