China fixa meta de crescimento no menor patamar em décadas e amplia gastos militares

Durante as “Duas Sessões”, governo projeta expansão de até 5%, anuncia alta de 7% no orçamento de defesa e reforça foco em tecnologia e consumo interno

Foto: Lintao Zhang/Pool via REUTERS

A China definiu para este ano uma meta de crescimento econômico entre 4,5% e 5%, a mais modesta desde o início da década de 1990, com exceção de 2020, quando não houve objetivo oficial por causa da pandemia de covid-19. O índice foi apresentado durante a abertura da Assembleia Popular Nacional (APN), principal órgão legislativo do país, dentro da tradicional reunião política anual conhecida como “Duas Sessões”.

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Ao discursar na quinta-feira (5), o primeiro-ministro Li Qiang afirmou que os resultados alcançados no último ano exigiram esforço diante de um cenário considerado complexo. Segundo ele, o país enfrentou simultaneamente pressões externas e dificuldades internas, o que demandou decisões políticas desafiadoras.

A nova meta de expansão ocorre em meio ao enfraquecimento do consumo doméstico e à persistente crise no setor imobiliário, dois fatores que têm pressionado a segunda maior economia do mundo. Apesar disso, o desempenho das exportações garantiu crescimento de 5% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2025 e levou o país a registrar superávit comercial recorde de US$ 1,2 trilhão, mesmo sob tensões comerciais com os Estados Unidos.

Além das diretrizes econômicas, Pequim anunciou aumento de 7% no orçamento de defesa, consolidando o segundo maior gasto militar do planeta. O investimento deve alcançar 1,9 trilhão de yuans (cerca de US$ 276,8 bilhões), valor equivalente a aproximadamente um terço das despesas militares norte-americanas. A medida é vista como parte da estratégia chinesa para contrabalançar a influência dos Estados Unidos e sustentar reivindicações territoriais sobre Taiwan e o Mar do Sul da China.

Durante o encontro, realizado no Grande Salão do Povo e acompanhado pelo presidente Xi Jinping, milhares de delegados analisam e formalizam projetos e reformas já alinhados previamente pela liderança do Partido Comunista Chinês (PCC).

Entre as metas apresentadas para 2026 estão inflação ao consumidor em torno de 2% e crescimento da renda da população em ritmo semelhante ao da economia. O governo também reforçou a necessidade de reequilibrar o modelo de desenvolvimento, reduzindo a dependência de exportações e da indústria manufatureira e estimulando o consumo interno.

As “Duas Sessões” devem ainda consolidar o 15º Plano Quinquenal, documento que orientará as prioridades estratégicas do país até 2030. A expectativa é de que o planejamento dê ênfase a setores como inteligência artificial, tecnologia de ponta, segurança energética e garantia de recursos estratégicos.

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